Com ocupação do Ministério da Fazenda e ações em 20 estados, Via Campesina consegue conquistas
Adelar Pretto, da coordenação do MST, avalia que Plano Safra não resolve o problema do endividamento dos pequenos produtores, que barra o acesso a novos créditos.
De um lado, o fortalecimento da monocultura da cana-de-açúcar para o programa dos agrocombustíveis. De outro, a expansão das empresas transnacionais para a produção da fruticultura irrigada para exportação. De norte a sul, a transposição do Rio São Francisco.
Não é preciso ser especialista para observar a panacéia atual em torno ao etanol. Basta viajar pelo interior do estado de São Paulo para constatar uma nítida e brutal mudança na paisagem, em espaço curtíssimo de tempo, onde a predominância das plantações de cana-de-açúcar é absoluta. Adentrando-se por estradas vicinais, é possível ainda visualizar alojamentos precários recém construídos, muito provavelmente para abrigar os novos cortadores.
A pretensão da atual política brasileira de avançar na exportação de etanol, preocupa devido às más condições de trabalho a que estão submetidos os cortadores de cana. De acordo com a Comissão Pastoral da Terra (CPT), do ano de 2005 a 2006, 20 trabalhadores morreram no corte de cana por motivos relacionados ao excesso de trabalho.
Segundo João Pedro Stedile, membro da direção do MST e da Via Campesina Brasil, a produção dos agrocombustíveis da forma como está proposta hoje, só serve para aumentar ainda mais a concentração de terra e gerar mercadoria para manter as taxas de lucros das grandes transnacionais e o modo de vida consumista dos países ricos. “Não há nenhuma relação com as preocupações pelo meio ambiente, o aquecimento global ou outras coisas, que nós – simples humanos – temos”, diz.
O interesse pelo etanol (álcool combustível) foi um dos motivos da visita recente do presidente estadunidense George W. Bush ao Brasil, já que a perspectiva é de que os Estados Unidos reduzam o consumo de gasolina em 20% até 2017. A substância, extraída da cana-de-açúcar, é vista como uma das grandes apostas na geração de energia “limpa” e renovável. Se por um lado a notícia de incentivo à produção do etanol anima usineiros e o agronegócio em geral, movimentos sociais e entidades de defesa dos direitos humanos entraram em alerta.
