Mais de R$ 10 milhões foram doados por empresas interessadas na flexibilização do Código Florestal a parlamentares que votaram pela redução das áreas de proteção em beiras de rio.
O texto aprovado acrescentou um item à MP que permite a recuperação de nascentes e matas ciliares com “árvores frutíferas”: laranjeiras, pés de café, mamoeiros e por aí vai. Inclusive na forma de monocultivos em grandes propriedades.
Latifúndios improdutivos serão transformados em fábricas de carbono e em repositórios de reserva legal, o que assegurará função produtiva e virtuosismo ambiental.
A bancada ruralista arregimentou seus aliados do conservadorismo urbano e fez a Câmara aprovar, contra todo o empenho do governo, o texto final com tudo o que perdera no Senado.
Em artigo, Djoni Roos explicita os interesses que movem o novo Código. "Um retrocesso do que mais progressista se conseguiu até hoje em termos de preservação ambiental".
Leia artigo de José Eli da Veiga, professor da pós-graduação do Instituto de Relações Internacionais da USP (IRI/USP), contra as mudanças no Código Florestal.
Risco de cheias, de assoreamento de rios, de erosões, além do impacto evidente nas nossas florestas, que possuem uma nobre e essencial função: a de absorção do dióxido de carbono.
Guilherme Delgado avalia que o tratamento democrático da informação sobre o Código Florestal ameaça a estratégia ruralista original, porque permitiu aos telespectadores e leitores formar juízos.
Elaine Tavares: "os que gritam e clamam por justiça, não precisam esmorecer. Perdeu-se uma batalha. A luta vai continuar".
Sergio Leitão, do Greenpeace: existe uma agenda do setor, liderado pelo grande agronegócio, para eliminar os limites sociais e ambientais fixados para o uso da terra.
