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Início » Revista Sem Terra » Os 90 anos da Revolução Russa

Pistolagem, a arma do agronegócio

Desde 2006, a Via Campesina exige que o campo experimental da transnacional Syngenta Seeds, localizado em Santa Teresa do Oeste (PR), seja desapropriado, uma vez que promove o cultivo ilegal de sementes transgênicas dentro da zona de amortecimento do Parque Nacional do Iguaçu. O governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), já desapropriou a área e, atendendo à reivindicação dos camponeses, propôs criação de um centro de agroecologia. O Poder Judiciário anulou o decreto de desapropriação e a transnacional continuou cometendo o crime ambiental.

No dia 21 de outubro, militantes da Via Campesina ocuparam, pela terceira vez, essa área. Logo após a reocupação, uma milícia, cerca de 45 pistoleiros, identificados como integrantes da empresa NF Segurança, atacou o local para promover um verdadeiro massacre dos integrantes da Via Campesina. Assassinaram o companheiro Valmir Mota de Oliveira, o Keno, e feriram gravemente, com um tiro na cabeça à queima-roupa, a companheira Izabel Nascimento de Souza e outros cinco trabalhadores rurais. Izabel sobreviveu, mas perdeu o olho direito por causa do ferimento. No conflito, morreu também um dos pistoleiros.

Quem esteve no local, após a ação criminosa, ficou chocado com as proporções do ataque e como o poder destrutivo das armas utilizadas. As evidencias são claras de um ataque planejado e com o objetivo de assassinar as pessoas.

O assassinato de mais um companheiro, o Keno, que dedicou sua vida em defesa da luta pela Reforma Agrária, exige a apuração e punição de todos seus responsáveis: executores, mandantes e coniventes com essa ação criminosa. Os meios de comunicação, entidades patronais e setores do Poder Judiciário e policial local, em conluio com o latifúndio, respaldam, instigam ou promovem a violência contra os trabalhadores rurais.

Não é sem motivos que Cascavel (PR), região desse conflito é uma das áreas que concentra os mais violentos latifundiários, aqueles sempre dispostos a “fazer justiça” com as próprias mãos. Os pistoleiros, às suas ordens, agem impunemente porque se sentem respaldados por uma estrutura de poder que vai além das cercas do latifúndio. Uma impunidade assegurada pelo poder econômico e entranhada sem setores das instituições do Estado.

Mas essa violência contra os trabalhadores não é um fenômeno novo. Desde a chegada dos colonizadores europeus, a história do nosso país está marcada pela criminalização e violência cometida contra as comunidades pobres. Essa violência, já estrutural, é um mecanismo imprescindível para manter a exploração da população brasileira e assegurar o domínio sobre nossas riquezas naturais.

Hoje, como há 500 anos, a sangria para o exterior da riqueza produzida em nosso país, é assegurada a ferro-e-fogo e com a conivência do Estado brasileiro. Os quase US$ 38 bilhões que as transnacionais enviaram para o exterior, apenas como remessa dos seus lucros, no período de 2003 a 2006, fazem falta ao país para resolver seus graves problemas sociais. Da mesma forma, fazem falta ao povo brasileiro, os mais de R$ 150 bilhões queimados anualmente no pagamento dos juros da dívida externa. São 500 anos de um modelo econômico, no qual as riquezas não pertencem ao povo que as produz. Por isso, este povo precisa ser mantido submisso ao modelo, seja um domínio ideológico, cultural ou violento.

Assim, a ação criminosa da Syngenta se iguala, em seus objetivos, às práticas de violência contra os trabalhadores cometidas pelos senhores escravocratas e oligarquias rurais dos tempos passados. O agronegócio, apresentado à população como o setor mais moderno da agricultura brasileira, hoje é o principal promotor dessa violência. A Syngenta, com seus crimes ambientais e assassinato de trabalhadores, deve ser expulsa do país. Seu único objetivo é saquear nossas riquezas nacionais, às custa do sangue do povo brasileiro e da degradação ambiental.

A violência cometida contra os trabalhadores somente será vencida com o modelo de desenvolvimento econômico que assegure justiça social e soberania nacional. Esta é nossa luta.

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