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Grandes transformações no campo abrem a perspectiva do MST se reposicionar na luta de classes

Início » Revista Sem Terra » Bioenergia, para quem?

Combatividade das mulheres contra o imperialismo

O Dia internacional da Mulher, em 8 de março, neste ano ficou marcado, também, pela chegada em nosso país do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush. Além do Brasil, ele visitou Uruguai, Colômbia, Guatemala e México.

De acordo com a Casa Branca, a viagem de Bush pela América Latina tem como objetivos sublinhar o compromisso dos Estados Unidos com o hemisfério ocidental, destacar planos comuns de promoção da liberdade, prosperidade e justiça social e oferecer os benefícios da democracia nos campos da saúde, educação e oportunidades econômicas.

No governo Bush, os comunicados da Casa Branca não têm nenhum compromisso com a verdade. Basta lembrar o uso da mentira para justificar a guerra ao Iraque. Para atacar aquele país, em março de 2003, Bush garantiu que o Iraque produzia armas biológicas, químicas e nucleares e que Saddam Hussein teve papel destacado no apoio operacional aos atentados terroristas de Nova Iorque, em 11 de setembro de 2001. Essas mentiras justificaram a declaração de uma guerra, que até os dias de hoje custou a vida de mais de três mil soldados estadunidenses e mais de 700 mil iraquianos.

Alguém de sã consciência pode acreditar que responsável por esse genocídio vem à América Latina para promover a liberdade, a prosperidade e a justiça social? Mesmo com todo seu poderio militar, tecnológico e econômico, hoje ninguém acredita que os Estados Unidos sairão vitoriosos do Iraque e do Afeganistão.

Assim, acuado pelos resultados da sua desastrada e criminosa política externa e pelo baixo índice de aceitação junto à população estadunidense – rejeição refletida na derrota do seu partido político, o Republicano, nas eleições do ano passado - o governo Bush faz um esforço, agora, para sinalizar uma política de aproximação com o continente latino-americano e uma preocupação com os temas ambientais. Novamente impera a hipocrisia e a mentira nesse governo. É visível que, com sua visita aos cinco países citados, o governo Bush busca isolar o governo de Hugo Chávez, da Venezuela, e o do boliviano Evo Morales. Ao mesmo tempo, envia sinais de alerta aos governos argentino e equatoriano. Logo, no comunicado da Casa Branca, onde está escrito “compromisso dos Estados Unidos com o hemisfério ocidental”, lê-se: esforço para dificultar e impedir a integração latino-americana.

Assim, somente olhando para sua política externa é possível compreender porque, ao visitar o nosso país, é necessário mobilizar quatro mil homens para a sua segurança, fechar ruas e o espaço aéreo, esvaziar todo o prédio do hotel onde irá se hospedar e exigir que o Exército vá as ruas com mísseis e armamento pesado. Sem contar a preocupação de apenas beber água trazida pela sua comitiva diretamente dos Estados Unidos. O presidente do país mais rico e poderoso do planeta se sente cada vez mais ameaçado e refém da política belicista que ele mesmo promove.

Mas o 8 de março não foi marcado apenas pela visita deste malfado governo – inimigo da humanidade - em nosso país. Foi também um dia memorável de lutas promovidas, principalmente, pelas companheiras da Via Campesina. Houve manifestações em todas partes do país, enfrentando, principalmente, as transnacionais do agronegócio, dos grandes monocultivos e das mineradoras responsáveis pelas gigantescas depredações ambientais. Preocupadas com a preservação ambiental, com a saúde dos produtores e consumidores de alimentos e com uma justa distribuição da riqueza produzida em nosso país, as trabalhadoras rurais da Via Campesina, com essa jornada de lutas, sinalizaram para a necessidade do país repensar seu modelo agrícola e mudar sua política econômica.

Se houver uma política que realmente promova a justiça social e atenda os interesses do povo, os governantes não precisarão andar com tantos seguranças e com tanto medo.

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ERRATA: Na edição anterior, o texto “A guerra de imagens de Lampião” foi publicado sem os devidos créditos do autor: Marcos Zibordi.

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