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Grandes transformações no campo abrem a perspectiva do MST se reposicionar na luta de classes

Início » Revista Sem Terra » Amazônia: como conciliar preservação e desenvolvimento

As lutas do povo

A desgraça do neoliberalismo parece não acabar nunca. Agora , mesmo com maior conhecimento público de todas conseqüências trágicas das políticas econômicas adotadas nos anos 90, setores dominantes ainda tentam impor mais medidas para tirar direitos dos trabalhadores, ampliar o desemprego e a exclusão social.

A nova lei de falências em tramitação no Congresso Nacional limita a prioridade de indenização integral dos trabalhadores na massa falida das empresas. Outra proposta gerada no seio das elites reacionárias procura alterar os requisitos da desapropriação para fins de reforma agrária, em benefício do latifúndio e da propriedade improdutiva.

A vitória eleitoral e democrática da proposta de mudança, em 2002, na perspectiva de que o Governo Lula reforçasse a luta do povo contra o desastre neoliberal, não surtiu, até o momento, em termos práticos da realidade brasileira, alterações significativas nos rumos do processo econômico, que continua a favorecer o grande capital financeiro nacional e internacional.

A prova disso é que os bancos que operam no País apresentaram, em 2003, rentabilidade superior aos bancos que operam nos Estados Unidos e muito acima da rentabilidade dos setores produtivos (indústria, agricultura, comércio e serviços). Os juros fixados pelo governo brasileiro são quatro ou cinco vezes superiores aos juros correntes na maior parte dos países que mantêm negócios com o Brasil.

A adoção de programas sociais compensatórios gera uma ciranda inesgotável de assistencialismo, que apenas coloca a população brasileira na mendicância e na fila das políticas clientelistas de pura humilhação; não resolve a questão da exclusão e da desigualdade, mas reforça sobretudo o velho coronelismo ainda presente nas regiões mais atrasadas do País.

A perda da condição cidadã aumenta a desagregação e desestruturação familiar e social, reduz a auto-estima, desmobiliza e desorganiza as categorias de trabalhadores e as suas lutas, cria a sensação de desalento e de desesperança, e retira da política o instrumento essencial da transformação de uma Nação e da melhoria do bem-estar de um povo.

As esquerdas e os movimentos sociais precisam encontrar urgentemente alternativas que contribuam para promover a unificação dos pobres, dos trabalhadores, dos excluídos e de todos aqueles que acreditam na construção de um outro Brasil, mais justo e mais igualitário, com política econômica independente e soberana, que vise essencialmente a valorização e a dignidade do ser humano - de todos os brasileiros.

As esquerdas e os movimentos sociais precisam unir as lutas e as bandeiras, precisam colocar acima de interesses menores e de conflitos específicos a afirmação da vontade popular por mudanças na política econômica herdada do governo FHC. O Brasil precisa enterrar, em definitivo, o legado nefasto do neoliberalismo. Urgentemente.

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