Grandes transformações no campo abrem a perspectiva do MST se reposicionar na luta de classes
As jornadas de ocupações e manifestações públicas realizadas pelo MST, em abril, não apenas chamaram a atenção do governo federal e da população para a urgência da reforma agrária, como também serviram de ânimo e estímulo para vários setores sociais com demandas reprimidas.
É claro que a reação de algumas autoridades, de defensores do latifúndio e da mídia conservadora, foi, como sempre, na linha de tentar criminalizar e desqualificar o Movimento. As elites dominantes continuam firmes e intocáveis na defesa de seus privilégios, da concentração da renda e da riqueza e de suas terras especulativas.
As jornadas do MST sacudiram o Brasil: mostraram que a defesa de direitos iguais para todos e a conquista de melhores condições de vida dependem - essencialmente - de mobilização e luta. Nada é distribuído de graça, nem democracia, nem justiça, nem igualdade.
Ficou evidente, também, para boa parte da sociedade, que o movimento social inclui e organiza as pessoas, e quem está organizado dificilmente passa fome, fica isolado ou se sente perdido ou desesperado. A participação das pessoas nos movimentos sociais ajuda na recuperação ou na conquista inédita da dignidade.
Dados divulgados recentemente pela Fundação Getúlio Vargas comprovam que quase um terço da população brasileira - 53 milhões de pessoas - vivem com renda abaixo da linha da miséria, com ganhos inferiores a um dólar por dia. Esse quadro explica a mortalidade precoce nas várias faixas etárias e a explosão de violência que toma conta dos centros urbanos.
O Estado, apenas, não tem conseguido atuar de forma satisfatória para incluir a população marginalizada; os ricos, e boa parte da classe média bem sucedida nos mercados do capitalismo, continuam insensíveis diante da miséria e do sofrimento do povo; o caminho da organização de movimentos sociais representa, portanto, a melhor opção de participação política conseqüente - diferentemente do caos e da barbárie patrocinados pelo sistema.
Cada movimento social deve cuidar de seus esquemas de mobilização, organização e luta. Cada movimento deve ter o seu plano de demandas imediatas. Todos os movimentos sabem que é preciso unir forças e impor uma agenda social ao governo, à mídia e à sociedade: a maior prioridade agora é por trabalho e renda, pela geração de empregos no campo e na cidade. O momento é de conquistas reais, concretas, por menores que sejam. O momento é de luta.
Até a vitória, sempre!
