Sem Terras Marcham pelo País

Trabalhadores Sem Terra empunhando bandeiras

Um ano após o Massacre de Eldorado dos Carajás, no dia 17 de fevereiro de 1997, cerca de 1.300 Sem Terra iniciam a Marcha Nacional por Emprego, Justiça e Reforma Agrária.

O objetivo era chegar em Brasília no dia 17 de abril, exatamente um ano após o Massacre. Os Sem Terra partiram de três pontos diferentes do país e, por dois meses, atravessaram a pé diversos municípios do Brasil.

Uma das colunas, com integrantes dos estados do sul e São Paulo, partiu da capital paulista com 600 pessoas. Outra, com o pessoal de Minas, Espírito Santo, Rio e Bahia, saiu de Governador Valadares (MG) com 400 integrantes. A terceira coluna, com militantes de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia, Goiás e Distrito Federal, partiu de Rondonópolis (MG) com 300 pessoas. O percurso de cada coluna foi de cerca de 1.000 km.

Punhos erguidos
Milhares de Sem Terra marcham mil km e são recebidos por 100 mil pessoas em Brasília

No dia 17 de abril, dia da chegada em Brasília, cerca de 100 mil pessoas receberam os Sem Terra demonstrando solidariedade e simpatia pela luta por Reforma Agrária.

Simultaneamente, os marchantes que vieram de cada estado do norte e nordeste também atingiram a capital. Além de chamar atenção para a urgência da Reforma Agrária, a marcha tinha por objetivo pedir a punição aos responsáveis pelos massacres, e celebrar pela primeira vez o Dia Internacional de Luta Camponesa.

Coleção Terra

5 000 000 de famílias de trabalhadores rurais que precisam de terra e não a têm, terra que para eles é condição de vida, vida que já não poderá esperar mais

José Saramago

No dia 17 de abril de 1997 também foi inaugurada a exposição de fotos de Sebastião Salgado em todos os estados do Brasil e em mais de 100 países do mundo, sobre a luta pela terra. Na inauguração, foram lançados o livro Terra, com as fotos da exposição e apresentação do escritor português José Saramago, e o CD de Chico Buarque, que acompanha o livro.

Seja como for, os deserdados da terra alimentam a esperança de melhores dias…

Sebastião Salgado

Os três artistas doaram todos os direitos autorais deste trabalho ao Movimento, que com o dinheiro arrecadado, construiu a Escola Nacional Florestan Fernandes, uma escola de formação política a toda classe trabalhadora, no município de Guararema, em São Paulo.

Quando eu morrer, que me enterrem na
Beira do chapadão
Contente com minha terra
Cansado de tanta guerra
Crescido de coração
Tôo

Chico Buarque, apud Guimarães Rosa

Marcha Popular pelo Brasil

Na Jornada Nacional de Lutas, em 1999, os Sem Terra protestaram em vários estados contra as medidas do governo, como o Banco da Terra, a tentativa de extinção do Procera e o projeto de emancipação dos assentamentos. A grande mobilização foi a Marcha Popular pelo Brasil, coordenada pelo MST, CUT, CMP, MMTR, MPA e a CNBB. Largando em 26 de julho, da frente da sede da Petrobras, no Rio de Janeiro, cerca de mil trabalhadores caminharam até Brasília, em defesa do Brasil, por terra, trabalho e democracia.

Punhos erguidos
Na decada de 90, desapareceram 942 mil pequenas propriedades

O ano de 1999 não foi negativo apenas para a Reforma Agrária, mas para toda a agricultura brasileira. A área cultivada continuou diminuindo e, segundo o Censo Agropecuário, nos últimos dez anos anteriores desapareceram 942 mil pequenas propriedades.

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