Na manhã desta sexta-feira (07/04), cerca de 400 mulheres da Via Campesina realizam um ato em frente à embaixada da Suíça no Brasil, para manifestar preocupação e indignação com a atuação da transnacional de origem Suíça Syngenta Seeds no Brasil.
Desde que se instalou no país, a Syngenta vem praticando crimes ambientais e de violência à vida, denunciam as manifestantes. Em 21 de outubro de 2007, a empresa foi protagonista de um crime que chocou o mundo e levou a que centenas de organizações de Direitos Humanos repudiassem a atitude da Syngenta. Nesta data, cerca de 40 "seguranças privados", fortemente armados, atacaram militantes da Via Campesina que haviam ocupado pacificamente um campo experimental de propriedade da referida empresa.
Como resultado da ação violenta, uma liderança da Via Campesina – Valmir Mota de Oliveira (conhecido como Keno) – foi executado à queima-roupa., e mais quatro pessoas ficaram gravemente feridas. Entre elas, Isabel do Nascimento, que perdeu a visão. Um dos seguranças também foi atingido por disparos e morreu - segundo a polícia, ele teria recebido tiros dos próprios seguranças. A Syngenta nunca assumiu a responsabilidade pelo que ocorreu e, apesar da existência de provas, as autoridades brasileiras não investigaram o envolvimento da empresa nos crimes.
Os crimes ambientais cometidos pela Syngenta no Brasil estão na origem das violações de direitos humanos ocorridas em 2007. Em março de 2006, a Syngenta foi multada pelo Ministério do Meio Ambiente por desenvolver experimentos transgênicos ilegais na zona de amortecimento do Parque Nacional do Iguaçu, prática proibida pela legislação brasileira.
Após este fato, o governo do estado do Paraná desapropriou o campo experimental com objetivo de transformá-lo em uma Escola de Agroecologia. A Syngenta recorreu ao Judiciário e, atualmente, um processo está tramitando. Enquanto isso, a Justiça Federal também reconheceu (em novembro de 2007), que a Syngenta está proibida de realizar experimentos com transgênicos na zona de amortecimento do Parque Nacional do Iguaçu. Ainda assim, a Syngenta recusa-se a pagar a multa de R$ 1 milhão, determinada pelo Ministério do Meio Ambiente.
Atualmente, a Via Campesina continua ocupando pacificamente o campo experimental, para protestar contra a impunidade da Syngenta e também para continuar lutando contra a realização de experimentos ilegais no local. Além de alimentos, os camponeses também plantaram um bosque de árvores nativas, recuperando o meio ambiente.
Está marcada para as 9h uma reunião com o embaixador suíço Rudolf Bärfuss. No encontro, as trabalhadoras rurais vão entregar uma carta exigindo do Governo Suíço que responsabilize a Syngenta pelo ato de violência, crimes ambientais e apóie a medida de desapropriação da terra onde houve o conflito.
Jornada
Por todo o país, as mulheres da Via Campesina seguem realizando ações durante a Jornada de Lutas para mostrar à sociedade a existência de um projeto alternativo de agricultura, baseado na produção familiar para o mercado interno, que respeite a biodiversidade. Leia sobre outras ações no Especial 8 de Março
