Por Paulo A. Magalhães Fº
O MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), a Ceta (Coordenação Estadual de Trabalhadores Assentados e Acampados) e o Cimi (Conselho Indigenista Missionário) promovem o 8º Acampamento de Mulheres com o lema: Mulheres Sem Terra e Indígenas em defesa da soberania alimentar, contra o agronegócio e as transacionais no campo. O Acampamento acontecerá entre os dias 06 e 09 de Março de 2008, na Escola Parque, bairro Caixa D´Água, em Salvador. Com a participação de cerca de 1500 mulheres, o evento terá palestras, debates, GTs e Oficinas sobre diversos temas, além da tradicional marcha do dia 08 de Março em parceria com outros movimentos sociais. Leia sobre as ações em outros estados no Especial 8 de Março.
O Acampamento visa integrar diversos movimentos de mulheres rurais e contribuir para formação política e inserção consciente dessas mulheres na luta de classes e na transformação das relações de gênero no mundo rural, a partir da ampliação do debate e do entendimento sobre as questões que afetam diretamente a sua vida (enquanto mulheres, trabalhadoras e sujeitos políticos) e que se mostram restritivas à sua emancipação, empoderamento e participação como protagonistas na (re) construção de uma sociedade justa, inclusiva e eqüitativa para homens e mulheres.
A mulher Sem Terra é duplamente oprimida, pela exploração do capital e por ser mulher. Não enfrentam somente as privações sobre seu próprio corpo impostas pela sociedade capitalista machista, mas também a dura caminhada pela sobrevivência na luta pela terra que lhes pertence e pela terra que é hoje devastada pela ambição produtivista imposta pelo capitalismo. São sobretudo as mulheres quem sofrem o impacto do atual modelo agroexportador baseado na pilhagem da natureza e no sufocamento da produção camponesa por conta das grandes transnacionais.
A soberania alimentar é o direito dos povos de produzir sua comida respeitando a biodiversidade e os hábitos culturais de cada região. Hoje em nosso país as riquezas naturais estão sob domínio das empresas multinacionais do agronegócio e a população tem cada vez menos acesso à terra, à água e aos alimentos.
É nesse momento que mulheres Sem Terra de todo o país mobilizam-se para o enfrentamento com o agronegócio, buscando mostrar à sociedade a existência de um projeto alternativo de agricultura, baseado na produção camponesa em pequenas propriedades que respeitem a biodiversidade, além de um projeto alternativo de sociedade, livre de critérios produtivistas e da cega lógica capitalista que torna impossível condições igualitárias para homens e mulheres.
