As mulheres da Via Campesina acabam de fazer mais um ato contra o monocultivo da cana no estado de Pernambuco. Desta vez, na cidade de Água Preta,as trabalhadoras derrubaram a casa grande do engenho Cachoeira Dantas. Veja as ações das mulheres de outros estados no Especial 8 de Março.
No dia 19 de fevereiro, cerca de 66 famílias de trabalhadores rurais que moravam e plantavam no Engenho Cachoeira Dantas, foram despejados por decisão liminar do Juiz da Comarca de Água Preta, sem que sequer houvesse chance dos/as camponeses/as apresentarem suas defesas.
A maioria das famílias trabalhava e morava no engenho, que produz cana -de - açúcar e álcool, há mais de 20 anos. Os trabalhadores foram demitidos pelo antigo proprietário do Engenho Cachoeira Dantas e jamais tiveram seus direitos trabalhistas pagos. O imóvel foi penhorado, levado a leilão e arrematado por Marcelo Cavalcanti de Amorim, que, por sua vez, ajuizou uma Ação Reivindicatória com pedido de tutela antecipada, que foi concedida sem levar em conta os direitos das 66 famílias que tiveram destruídas suas casas e todas as plantações.
Pela manhã as mulheres ocuparam o Engenho Pereira Grande, em Gmeleira e, no sertão do estado, a sede da Codevasf (Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco) para protestar contra o modelo de desenvolvimento que vem sendo implantado pela companhia na região, que apóia grandes projetos de irrigação para o agronegócio como o projeto de transposição do Rio São Francisco, o Pontal Sul, em Petrolina, e o Projeto Salitre, na cidade vizinha de Juazeiro, na Bahia.
