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Grandes transformações no campo abrem a perspectiva do MST se reposicionar na luta de classes

Início » Especiais e Campanhas » 5° Congresso Nacional do MST

Marcha recebe apoio da população de Brasília

Mayrá Lima,
de Brasília (DF)

A marcha que marcou o ato de protesto contra o agronegócio, o imperialismo e a não realização de uma Reforma Agrária, nesta quinta-feira, 14, acabou ganhando o apoio de quem passava pelas ruas de Brasília. Eram quase 7 quilômetros de manifestantes que, de forma pacífica, pintaram de vermelho a capital brasileira.

Ônibus e carros buzinavam manifestando apoio aos Sem Terra que entoavam músicas de protesto. A população de Brasília parou para ver a marcha e não deixou de emitir suas opiniões. Segundo o representante comercial, Samuel Fernandes, as reivindicações do MST são justas, pois o presidente Lula, de fato, “não teria feito nenhuma Reforma Agrária”. “Acho justas sim as reivindicações, afinal 17 mil pessoas é muita gente”, explicou.

Já o policial militar, Antônio da Silva, que escoltava a manifestação, alegou que a organização dá a legitimidade da manifestação. “Desde que o pessoal tenha consciência do que está reivindicando, eu acho que é justo sim. Eu acredito que o Brasil precisa sim de uma Reforma Agrária. Eu vejo muitos sem nada e poucos com mundo”, desabafa.

Dona Ana Maria Costa, piauiense, está desempregada e espera o crédito de uma cooperativa, a SOL, na qual está envolvida para melhorar de vida. Inclusive reza para que isso aconteça rápido. A passagem da marcha pela Rodoviária do Plano Piloto de Brasília a fez parar a sua ida para Pedregal (Distrito Federal) para dar a sua contribuição. “É legal, é ótima essa marcha. Tem que ter Reforma Agrária, moradia, casa própria. Eu nunca tive, mas eu estou lutando com a cooperativa” explicou.

Sob sol forte, água a R$1,00 era imprescindível para conter a secura do clima brasiliense. O vendedor ambulante, Altamiro Silva de Sá também se colocou favorável à manifestação. “Com certeza está faltando Reforma Agrária no Brasil. Nós precisamos de atos que nem esses”, opinou. Já dobrando para a embaixada estadunidense, o gari Antônio Custódio Neto, fazendo parte do coro, disse que era “certo eles estarem nesta lida, lutando pela terra. É um direito de todo cidadão brasileiro. O país que nós vivemos hoje precisa de uma Reforma Agrária. Tem muitas fazendas improdutivas e tem que dividir com os pobres para produzir na terra”.

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