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Brasil em Movimento: uma rádio incorporando vozes

Carla Cobalchini e Marcus Pedroso de Souza
de Brasília (DF)

Hei; psiu; fiu; uai sô; bá tchê. É hora dos informes, pres' tenção! Só a vinheta já demonstra a diversidade de vozes que a Rádio Brasil em Movimento consegue contemplar.

Fruto de uma experiência bem sucedida na marcha realizada pelo MST em 2005, a Rádio Brasil em Movimento reaparece no 5º Congresso Nacional agora como rádio poste na Cidade de Lona construída para o encontro. Segundo Beatriz Pasqualino, membro da coordenação da rádio e editora da Revista Sem-Terra, além de manter o papel organizativo, auxiliando o encaminhamento dos militantes às atividades do Congresso, a rádio ainda tem por funções a informação, a formação e a agitação e propaganda.

Para manter a programação diária das 6h às 20h, a rádio conta com membros do setor de comunicação e colaboradores de pelo menos sete estados. São militantes do MST que já trabalham em rádios do movimento ou pretendem instalá-las nos acampamentos e assentamentos. Para isso foram montadas três equipes que trabalham em rodízio; produção, locução e reportagem, formadas sempre por duplas compostas de um jornalista e um militante das bases dos estados. Dessa forma, o setor de comunicação concretiza a rádio poste como um espaço de troca e formação a ser multiplicado na base, contribuindo assim com experiências locais de democratização da comunicação. Nas palavras de Dirceu Pelegrino Vieira, diretor estadual do setor de comunicação de Santa Catarina, “é fazer o diálogo, colocar a sociedade dentro do rádio”.

A Rádio Brasil em Movimento confirma uma política das rádios do MST: o rompimento com a mídia comercial com a incorporação de novas formas de fazer rádio e conteúdos alternativos necessários à classe trabalhadora. Para Nina Fidelis, do Setor de Comunicação de São Paulo, “o rádio, para o movimento, deve ser um veículo de disputa de hegemonia na grande mídia”, compromisso que é assumido pelos Estados.

Macario Umbelino da Silva, do Setor de Comunicação do Paraná, confirma que as rádios do MST são importantes porque “resgatam a cultura, trabalham com a informação verdadeira e quebram a visão negativa que a população tem dos trabalhadores Sem Terra”.

Novos setores

Conscientes do caráter participativo da rádio Brasil em Movimento, os setores de saúde, cultura e a escola itinerante do movimento mantêm programas diários no ar. São programas de vinte minutos e spots distribuídos ao longo da programação que incorporam novas vozes e conteúdos à rádio. O setor de cultura utiliza a rádio-novela, a Escola Itinerante trata do tema da educação e discutem a criança no projeto popular e a saúde insere debates mais amplos sobre a saúde e sua promoção no cotidiano.

Kamila Martins e Alfredo de Oliveira Neto, membros do Setor de Saúde de Pernambuco, apresentaram o programa do setor no segundo dia do Congresso. Eles acreditam que o rádio amplia a promoção da saúde e a prevenção. “É nossa própria linguagem, nosso jeito. Conseguimos nos ver no processo e não somo transformados em protagonistas de uma história que não escrevemos”.

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