Débora Dias,
de Brasília (DF)
Perspectivas diversas sobre o cenário político brasileiro e mundial foram apresentadas por duas mulheres referência em movimentos sociais durante a tarde desta terça-feira, no Congresso Nacional do MST. A militante feminista Nalu Farias, dirigente da Marcha Mundial de Mulheres, partiu da crítica ao modelo neoliberal instalado, ao mesmo tempo em que apontou o confronto a essa ordem em vários países latino-americanos atualmente. "Mesmo com contradições, limites e até mesmo incoerências", ressalvou. Nalu defendeu que, no Brasil, a atual conjuntura é mais favorável que a das ultimas décadas. "O povo sente, nos últimos quatro anos, elementos de melhoria das suas vidas. Percebe que alguma coisa melhorou", diz. Estabilidade econômica e controle da inflação foram alguns indicativos citados pela feminista.
Nalu faz a crítica às alianças em nome da governabilidade, que tem limitado "o quanto o governo dá sinais de avançar". Para ela, a política econômica tem que estar associada à política social. Assim como a manutenção das tropas brasileiras no Haiti e a discussão sobre o etanol conduzida pelo governo Lula com o governo Bush precisam ser revistas. Mas destaca como avanços, a resistência à implantação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca). "O fato de termos barrado a Alca não é de se desprezar". E para que as mudanças sejam profundas, destaca a luta contra a desigualdade racial e entre mulheres e homens.
A socióloga argentina Isabel Rauber, assessora da central dos Trabalhadores da Argentina, reforçou que construir um outro mundo não só é possível, como necessário. E para isso, o ponto de partida é o sentimento. "Só se pode transformar o mundo se formos todos juntos".