Grandes transformações no campo abrem a perspectiva do MST se reposicionar na luta de classes
Ana Claudia Mielki
de Brasília
As crianças terão um espaço de participação exclusivo no 5º Congresso do MST. A Escola Itinerante Paulo Freire deve receber cerca de 1,5 mil sem-terrinha de 0 a 11 anos e ficará dentro da Cidade de Lona, o grande camping coletivo onde os sem-terra ficarão alojados. Crianças de todo o Brasil vão participar nesses quatro dias de atividades educativas.
O coordenador pedagógico, Alessandro Mariano, está há quatro dias trabalhando na montagem da Escola. Segundo ele, pela manhã as crianças participam de oficinas pedagógicas, que irão discutir os temas centrais do Congresso, como soberania popular, reforma agrária e justiça social. “É uma discussão com as crianças, a partir da visão de mundo que elas têm. Entendendo que as crianças também são sujeitos, portanto, têm opinião”, diz. Além disso, segundo Mariano, a Escola não se trata de um espaço separado, pelo contrário, é parte do Congresso.
O local que receberá os Sem Terrinha já está quase pronto. As barracas estão quase todas montadas, mas ainda falta a ornamentação. “Nós vamos organizar aqui um grande Arraial, com muitas bandeirolas, com chitão, bandeiras do MST, muito colorido”, diz Mariano. Segundo ele, a equipe, receberá um reforço de 400 educadores de diversos estados que irá trabalhar durante todo o domingo e segunda para que no dia 12 de manhã a escola inicie suas atividades. “Será uma grande experiência educativa para nós educadores como também para o MST”, afirma.
Ele conta que há vários setores envolvidos com a Escola, como o setor de Cultura, que ficará responsável pelas oficinas e o setor de Saúde. Cerca de 70 educadores da saúde estarão trabalhando em conjunto com a Paulo Freire, para segundo Mariano “acompanhar a saúde e não a doença das crianças”.
Ao final das atividades as crianças vão elaborar um Carta ao 5º Congresso, que será encaminhada ao MST. Na Carta as crianças vão escrever o que elas pensam e o que elas têm a propor para transformar a sociedade. “Para nós é uma satisfação todo esse trabalho aqui”, conclui Mariano.
Na quarta-feira, dia 13, os Sem Terrinha fazem um Ato no Ministério da Educação, onde pretendem cobrar mais verbas para a educação como um todo e também, maior atenção à educação das crianças que vivem nos assentamentos.
