Com ocupação do Ministério da Fazenda e ações em 20 estados, Via Campesina consegue conquistas
A primeira metade da década de 1990 se caracterizou pela adoção das políticas neoliberais em nosso país. A privatização das estatais, a desnacionalização da economia e o incentivo ao consumismo de produtos importados foram impostos no imaginário da população como sinônimos de modernização do país e ingresso no seleto grupo dos países desenvolvidos.
A crise e a desestruturação dos países socialistas do Leste Europeu sinalizavam as transformações em curso no cenário internacional que, certamente, influenciariam as lutas populares em nosso país.
Já se comprovava, no início da década de 1990, o descenso das lutas populares e sindicais em nosso país. A exceção mais notável foi a mobilização do povo brasileiro para afastar Fernando Collor do cargo de presidente da República, acusado de corrupção.
No campo, mesmo com o esgotamento do modelo de desenvolvimento industrial, aprofundou-se o processo de desenvolvimento capitalista e de modernização na agricultura, baseado no aumento da exploração dos trabalhadores. Milhares de unidades produtivas camponesas desapareceram e ampliou-se o trabalho assalariado no campo. Muitos dos camponeses que se mantiveram na terra passaram a ter parte renda obtida com o trabalho assalariado fora da propriedade. No entanto, as relações capitalistas no campo também reeditaram formas de alto grau de exploração do trabalho, pelo trabalho escravo.
Em diversos Estados, grande número de trabalhadores rurais mudaram-se para as pequenas cidades e periferias de metrópoles.
Como desafios, continuamos priorizando a política de fortalecimento interno da nossa organização. Promovemos esforços na elaboração do Programa Agrário, no aperfeiçoamento dos métodos organizativos e nas formas de lutas e nas articulações com outros setores sociais do país, organizações camponesas da América latina e de outros continentes. A palavra de ordem foi: “Reforma Agrária, uma luta de todos”.
