A elaboração do Plano Nacional de Reforma Agrária (PNRA), em 1985, da Constituição Federal (1988), os enfrentamentos com a União Democrática Ruralista (1986-90) e com o Centrão (agrupamento dos parlamentares mais conservadores do Congresso Nacional) e a eleição presidencial de 1989 foram atividades políticas que retrataram a efervescência política da segunda metade da década de 1980.
O crescimento eleitoral, a ida para o segundo turno e a expectativa de vitória da candidatura de Lula, em 1989, numa eleição polarizada entre a esquerda e a direita, eram o resultado de duas décadas de lutas e da organização da classe trabalhadora. Mesmo com a derrota eleitoral, fechamos a década com a sociedade mobilizada, com um movimento sindical combativo e atuante e com as forças progressistas preocupadas em apresentar um projeto de desenvolvimento para o país alternativo ao das elites.
Na Reforma Agrária, a inclusão do conceito de função social da propriedade agrícola na Constituição Federal deu um novo estímulo à nossa luta. O MST já havia se consolidando em todas as regiões do país e adotado como principal forma de luta a ocupação dos latifúndios improdutivos.
No entanto, a eleição de Fernando Collor já sinalizava as dificuldades que teríamos na década de 1990. Por isso, os desafios se voltaram para os cuidados internos da organização: o fortalecimento dos setores, a organização interna dos assentamentos e acampamentos, a busca da autonomia política e financeira da organização e os debates e a elaboração de uma proposta política e organizativa para o setor de produção. Desafios que foram sintetizados na palavra de ordem “Ocupar, Resistir e Produzir”.