Com ocupação do Ministério da Fazenda e ações em 20 estados, Via Campesina consegue conquistas
A década de 1980 representa o esgotamento do modelo de desenvolvimento urbano-industrial, iniciado na década de 1930. Ao mesmo tempo, 1984 foi o último ano de um governo da ditadura militar, iniciada em 1964. Desde meados da década de 1970, as lutas populares e sindicais, principalmente dos grandes centros urbanos, exigiam o fim do regime militar e liberdades democráticas. Dessas lutas, além de desgastar o governo ditatorial, surgiram o Partido dos Trabalhadores (PT – 1980) e a Central Única dos Trabalhadores (CUT – 1981), abrindo perspectivas de lutas que deveriam ir além do governo militar e que teve na campanha pelas Diretas Já (1984) a sua melhor expressão da capacidade de mobilização popular.
No campo, a ditadura militar reprimiu as organizações dos camponeses, seus líderes foram assassinados, presos ou exilados, e sufocou o debate e a elaboração teórica sobre a questão agrária no Brasil. O governo militar impôs uma política de modernização da agricultura, para atender a demanda urbano-industrial e do mercado externo, sem fazer reformas na estrutura fundiária. Modernização que aprofundou a exclusão social, aumentando o êxodo rural, as desigualdades tecnológicas e nas relações sociais no campo.
Nesse contexto, cresceram as lutas populares em defesa da Reforma Agrária, pela reorganização sindical e contra o governo militar. A Comissão Pastoral da Terra (CPT), surgida em 1975, foi muito importante na retomada das lutas e na organização dos camponeses. Além disso, mesmo com toda a repressão do regime militar, a luta pela terra continuou ocorrendo em todas as regiões do país.
É nesse clima de enorme agitação política e de expectativa de crescimento da organização da classe trabalhadora que aconteceu o 1º Congresso Nacional, em 1985. Naquela ocasião, visando o crescimento do MST e da luta pela Reforma Agrária, surgiram os desafios de:
1º colocar a Reforma agrária na agenda do país;
2º consolidar a organização do MST nacionalmente;
3º buscar a unidade dos camponeses e das lutas isoladas pelo país;
4º definir e implementar uma forma de luta contra os latifúndios.
Por isso, a palavra de ordem escolhida para o primeiro Congresso foi “Sem Reforma Agrária, não há Democracia”.
