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BALANÇO: DEVER CUMPRIDO E COMPROMISSO COM AS LUTAS

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Com ocupação do Ministério da Fazenda e ações em 20 estados, Via Campesina consegue conquistas

Início » Especiais e Campanhas » 5° Congresso Nacional do MST

Construindo a história da nossa luta

A vitória nas eleições de 2002, com Lula chegando à Presidência da República, criou grandes expectativas na classe trabalhadora. Iniciamos o ano de 2003 com quase 200 mil famílias acampadas. Infelizmente, essa expectativa não se concretizou, uma vez que o Lula deu continuidade à política neoliberal de FHC.

Persiste, até os dias de hoje, o descenso do movimento social. Um revés para a classe trabalhadora, para a capacidade de fazer o trabalho de base (organização e formação política da classe trabalhadora) e para a capacidade de mobilização popular. Pior, a ofensiva do neoliberalismo, desde o início dos anos de 1990, promoveu uma fragmentação da classe trabalhadora e disseminou a cultura do individualismo, do oportunismo e do descrédito com a política junto à população de modo geral.

Coube ao Fórum Social Mundial (FSM), realizado pela primeira vez em 2002, em Porto Alegre (RS), servir de referência aglutinadora de todas as iniciativas antineoliberais. A repetição desse evento, nos anos posteriores, e seu desdobramento em fóruns regionais e continentais consolidaram um espaço político que se contrapôs à ofensiva do neoliberalismo no mundo todo.

Porém, na agricultura brasileira, a ofensiva neoliberal aprofundou a integração do latifúndio com as empresas transnacionais e, sob a hegemonia, agora, do capital financeiro, naquilo que denominaram de desenvolvimento do agronegócio e que se contrapõe, frontalmente, à proposta de Reforma Agrária e de agricultura camponesa em nosso país.

Contraditoriamente ao descenso social e à ofensiva neoliberal, nos últimos anos houve um crescimento e fortalecimento da Via Campesina junto às organizações camponesas dos cinco continentes. Pela Via Campesina, os camponeses acumularam forças para desenvolver o conceito de soberania alimentar e das sementes como patrimônio da humanidade; de promover a luta contra os produtos transgênicos e contra os monoculturas e da preservação ambiental e da luta contra os produtos transgênicos e em defesa da preservação ambiental.

Com o agronegócio, mudou o padrão da luta de classes na agricultura e não enfrentamos mais o tradicional latifundiário. Hoje, os que querem monopolizar as terras, controlar territórios, assegurar as reservas de água doce e se apoderar da biodiversidade são os mesmos donos de bancos, transnacionais da agroindústria. Esses são os novos inimigos da Reforma Agrária, agora difusos em sociedades anônimas.

Por isso, os nossos desafios atuais dividem-se em apresentar um novo programa para agricultura brasileira, que atenda às necessidades dos camponeses e da população brasileira e combata o modelo das elites, representado na atual política econômica, na atuação das transnacionais e do agronegócio, no latifúndio atrasado que persiste em todo o território nacional e na expansão da monocultura.

Foi pensando nesse estágio da nossa luta que a nova palavra de ordem, a partir do 5º Congresso Nacional, será “Reforma Agrária: por Justiça Social e Soberania Popular”.

Leia também

1º Congresso Nacional (1985) – Sem Reforma Agrária, não há Democracia

2º Congresso Nacional (1990) – Ocupar, Resistir e Produzir

3º Congresso Nacional (1995) – Reforma Agrária, uma luta de todos

4º Congresso (2000) – Reforma Agrária: por um Brasil sem latifúndio

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