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Início » Especiais e Campanhas » Jornada Nacional de Lutas dos Sem Terrinha

A educação nos assentamentos no Paraná

Da Agência Chasque

No Paraná acontece, até sábado, o 8º Encontro Estadual dos Sem Terrinha. Crianças e jovens de acampamentos e assentamentos do Movimento Rural dos Trabalhadores Sem Terra (MST) debatem os direitos da criança e do adolescente e as dificuldades enfrentadas para estudar no campo.

Em entrevista, o intregrante do Setor de Educação do MST no Paraná, Alessandro Mariano, fala sobre o encontro e as especifidades das crianças e dos jovens que vivem no campo e o que há em comum com as crianças da cidade.

O que pretende este encontro estadual dos sem terrinha?

O 8º Encontro Estadual dos Sem Terrinha vai discutir a dimensão do direito da criança, que é o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA); a idéia de que, enquanto crianças, sujeitos infantis, participam da luta pela terra tanto no espaço do assentamento/ acampamento. A idéia é que elas estudem esses direitos e, não fazer uma contraposição mas sim olhar se esses direitos estão sendo garantidos. E também manifestar à sociedade os anseios, os seus sonhos.

No que a realidade dos sem terrinha é diferente?

Quando tem esse recorte das crianças sem terra, é porque ela vive numa situação, que é numa situação de luta, ou que já vivenciou a luta pela terra e agora está no assentamento. A especificidade dela é de estar no campo. Mas ela têm características de ser criança brasileira, de passar pelos mesmos problemas sociais que atingem as crianças da cidade também atingem as crianças do campo. Tanto a dimensão do direito a ser humano, que é o direito de se alimentar, de ter educação, cultura e lazer; essa é uma dimensão dos sem terrinha que também se iguala às demais crianças brasileiras. Atualmente, 860 mil crianças vivem na pobreza no Brasil.

Qual é a situação da educação do campo no Paraná?

No Paraná, temos 300 assentamentos; destes, apenas 100 têm escola. Então nestes em que há escola, as crianças têm direito à educação próximo as suas casas. Para essa realidade, a situação é um pouco melhor dos assentamentos que não têm escola. As crianças até têm garantido o direito à educação, mas as escolas estão em uma situação precária. Algumas são muito antigas; têm assentamentos aqui com 20 anos. As escolas ainda são de madeira, não têm energia elétrica, estão em péssimas condições. Temos necessidade de infra-estrutura. E assentamentos que não têm escola, as crianças têm o direito à educação também, mas é na cidade, na sede do município, precisando de transporte escolar. Há realidades variadas, com crianças que levam até 40 minutos para ir à escola, pois foca próxima à sede do município, e outras crianças levam até duas horas. Sem dizer que, no caso dos jovens, muitos precisam sair de casa e viver nas cidades para estudar.

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