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Com ocupação do Ministério da Fazenda e ações em 20 estados, Via Campesina consegue conquistas

Início » Especiais e Campanhas » 5° Congresso Nacional do MST

Dinheiro público financia o agronegócio

As linhas de crédito do governo federal e dos bancos públicos disponibilizam muito mais recursos para as grandes empresas do agronegócio e latifundiários do que para pequenos produtores e assentados, aqueles que produzem alimentos para a população.

No topo da pirâmide, 10 empresas transnacionais, que operam no comércio agrícola e na agroindústria, conseguiram, do Banco do Brasil, mais de R$ 4 bilhões para a safra 2003/2004. Os dados dos anos posteriores não foram divulgados.

Já os médios e grandes proprietários de terras, com 342.422 estabelecimentos, tiveram acesso a R$ 44,3 bilhões para a safra 2005/2006. Em média, cada um recebeu R$ 130 mil. No ano passado, o Ministério da Agricultura lançou um pacote com a liberação de R$ 60 bilhões para a safra 2006/2007.

Mercado

As flutuações no mercado internacional têm um impacto direto no setor exportador, que vive as incertezas da própria natureza da sua inserção na globalização capitalista.

“O agronegócio depende das empresas transnacionais da agricultura, que controlam o comércio agrícola e o fornecimento de insumos. Sendo assim, o preço das commodities agrícolas é controlado pelos conglomerados internacionais” afirma João Pedro Stedile, do MST.

Depois do auge de produtividade do agronegócio, os grandes proprietários de terra passaram a sofrer com a queda do lucro. Com isso, recorreram ao governo para aumentar a capacidade de produção e para diminuir os riscos dos seus investimentos.

“Os grandes produtores do agronegócio estão inseridos no complexo capitalista e devem resolver os seus problemas dentro do mercado, que concede lucro em meio a riscos. No entanto, em momentos de lucratividade ignoram o governo e a sociedade brasileira. E cobram apoio do Estado quando estão com dívidas”, questiona Stedile.

Agricultura Familiar

Na disputa pelos recursos públicos, a menor fatia fica com os pequenos produtores e assentados, que precisam dos empréstimos para vender alimentos cada vez mais baratos para uma população de baixo poder aquisitivo.

O orçamento do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), que tem como público potencial 3,9 milhões de famílias, é de R$ 9 bilhões. Na média, cada família tem disponível um pouco mais de R$ 20 mil.

Dentro do Pronaf, os assentados têm mais dificuldade ainda para adquirir crédito. Foram assinados apenas 64.416 contratos com as 580 mil famílias em projetos da reforma agrária, cerca de 11% do total. O crédito agrícola oferecido girou em torno de R$ 568 milhões, ficando R$ 9 mil por família.

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