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Grandes transformações no campo abrem a perspectiva do MST se reposicionar na luta de classes

Início » Especiais e Campanhas » Jornada de Luta pela Reforma Agrária

Pistoleiros atiram contra Sem Terra na Zona da Mata

Ontem, dia 18, pela tarde cerca de 50 famílias de trabalhadores rurais Sem Terra re-ocuparam o Engenho Cavaco, no município de Xexéu, Zona da Mata Sul de Pernambuco. Logo após a ocupação pistoleiros armados cercaram o acampamento, atirando para o alto e ameaçando os agricultores.

A ocupação de ontem foi a terceira ocupação do MST na área, que já foi palco de vários conflitos. A área, de 500 hectares, é improdutiva e já foi declarada de interesse social para fins de reforma agrária, desde fevereiro de 2004. Mas os diversos recursos impetrados pelo “proprietário” contestando a decisão na justiça impedem a desapropriação.

O caso do Engenho Cavaco, que está com processo de desapropriação emperrado na “justiça” por constantes recursos impetrados pelo dito "proprietário" não é o único. O poder judiciário brasileiro tem sido um dos principais inimigos da Reforma Agrária no país. Ao fazer um balanço da Reforma Agrária em Pernambuco no ano de 2006 a própria Superintendente do Incra no Estado, Maria de Oliveira afirmou que “o
Brasil não mudará se não passar por uma reforma muito forte da postura e da forma como o Judiciário vem trabalhando no País”.

São inúmeras as áreas já vistoriadas pelo Incra e decretadas para fins de Reforma Agrária que têm os processos de desapropriação parados na justiça. Assim como são inúmeros os casos de juizes que perseguem militantes e dirigentes sociais e de mandados de reintegração de posse emitidos praticamente sem nenhuma análise.

Enquanto isso, fazendeiros e pistoleiros que ameaçam e matam trabalhadores rurais Sem Terra ficam impunes. Os 10 anos de impunidade do Massacre de Camarazl, na Zona da Mata Pernambucana e os 11 anos de impunidade de Eldorado dos Carajás, assim como tantos outros crimes de latifúndio que seguem impunes não nos deixam esquecer de que lado está a "justiça" brasileira.

O MST afirma que é para protestar contra essa impunidade e a lentidão da Reforma Agrária no país que o Movimento tem se mobilizado no Brasil inteiro desde o início do mês de abril. Com essa reocupação do Engenho Cavaco, chega a 15 o número de ocupações realizadas pelo MST em Pernambuco.

‹ Para não esquecer nunca mais o Massacre de Carajás acima Sem Terra cercados pela Polícia Militar em Gloria do Goitá ›
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