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Com ocupação do Ministério da Fazenda e ações em 20 estados, Via Campesina consegue conquistas

Início » Revista Sem Terra » O controverso papel do BNDES

A corrupção é da elite

Número: 
51
Jul/Ago
2009

A crise que hoje se abate sobre o Congresso Nacional e atulha os espaços da mídia não é novidade, pelo menos para o povo. Quando é que cessou o furto do patrimônio público
nesse país? A essência da corrupção reside exatamente na prática de usurpar o patrimônio público para interesses particulares. Nascemos como uma colônia de exploração, onde
os maiores interesses eram de saquear os recursos naturais e a riqueza aqui produzida e transferi-la para a metrópole.

A primeira Constituição republicana, de 1891, cedeu as terras devolutas, até então sob domínio da nação, aos governos estaduais, fortalecendo política e economicamente
os latifundiários e coronéis do campo com esse patrimônio público. Posteriormente, com a chamada política dos governadores, essas oligarquias rurais, em conluio com a Presidência
da República, receberam ainda mais benesses, em troca de uma possível estabilidade política no país.

O período de industrialização não foi diferente. A riqueza produzida aqui foi escoada para os países centrais do sistema capitalista por meio, principalmente, dos mecanismos da dívida
externa e dos lucros das empresas transnacionais fixadas no território nacional. Os modernos mecanismos de transferência da riqueza das nações periféricas para as centrais apequenaram o roubo feito durante o período colonial. Espoliação sempre feita com a conivência da elite política.

E, recentemente, no período neoliberal, o programa de privatização das empresas estatais,
feito pelo governo do Fernando Henrique Cardoso (PSDB), consolidou-se como uma síntese de como a classe política trata o patrimônio público em nosso país. O mesmo FHC, que hoje se diz espantando com o nível de corrupção no Senado, deveria ser responsabilizado pelo crime de lesa-pátria, de acordo com o jurista Fábio Konder Comparato. E o que foi a “Carta ao Povo Brasileiro”, do então candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP), em que se comprometia a manter todos os contratos de interesse do capital internacional, mesmo sabendo que muito deles são prejudiciais ao país, uma vez que mantêm a sangria de recursos
para o exterior? Assim, historicamente, a classe dirigente do país nunca esteve identificada com a defesa dos interesses do país e do seu povo. Ao contrário, consolidou-se na depredação do patrimônio público. O atual presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), que agora está na berlinda, alvo dos ataques moralista da mídia — sempre conivente com esquemas de corrupção, desde que seus interesses não fiquem de fora na hora de repartir
o butim — é apenas a expressão mais acabada das práticas políticas da elite dirigente do nosso país.

Difícil é ouvir o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), e o presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva, pedir respeito à figura política de José Sarney e não esquecer sua história política em nosso país. Ora, quem não deveria esquecer a história do Sarney é a justiça, se parte de seus membros não andassem de braços dados com o ilustre político. Basta lembrar o processo que se produziu e a rapidez com que se determinou
a perda do mandato do governador eleito no Maranhão, Jackson Lago (PDT), e a imediata posse da filha do Sarney, a Roseana (PMDB), naquele cargo. Ah, se mesma agilidade valesse para o caso da governadora tucana do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius...

Como é hipócrita a postura da mídia ao buscar se assenhorear das denúncias, como se tivesse respaldo moral para isso. Não só a mídia faz parte dessa estrutura corrompida como
também, todas as vezes que os movimentos sociais e as forças progressistas tratam de denunciar a corrupção promovida pelas elites políticas e econômicas, ela silencia de forma cúmplice. As denúncias de hoje não representam um compromisso em defesa do patrimônio publico. São apenas reflexos das cisões que ocorrem entre os jogos de interesses da própria classe dominante. Logo se acomodam esses interesses e as práticas de corrupção voltam a agir, livres e silenciosamente. Para esta elite, a política se restringe a esta prática.

Chegará o dia em que o povo não se restringirá a não eleger mais políticos dessa índole. Criará também instrumentos políticos que possibilitem uma maior participação democrática
do próprio povo — inclusive com mecanismos de fiscalização sobre seus representantes no Parlamento — e a elaboração de uma política voltada para os interesses do país e do seu
povo. Saberá lutar e exigir um projeto popular para o país.

‹ O controverso papel do BNDES acima Por que o BNDES não atua como banco público? ›
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