Com ocupação do Ministério da Fazenda e ações em 20 estados, Via Campesina consegue conquistas
Acampamento em Brasília termina após conquistas do MST
19 de agosto de 2009
Os três mil integrantes do Acampamento Nacional pela Reforma Agrária, do MST e da Via Campesina, partem de Brasília para seus estados de origem, onde estão acampados e assentados na luta por um novo modelo agrícola, nesta quarta-feira (19/08).
Após a audiência com o governo federal, os trabalhadores Sem Terra, que estavam acampados desde 10 de agosto, decidiram encerrar o acampamento, mantendo o estado de mobilização nos estados para cobrar do governo os compromissos assumidos com a pressão da jornada de lutas.
Na noite de terça-feira, o MST fez um ato de encerramento, com a presença dos deputados federais Ivan Valente (PSOL/SP), Chico Alencar (PSOL/RJ), Paulo Rubem Santiago (PDT/PE), Iriny Lopes (PT/ES), Domingos Dutra (PT/MA) e Nazareno Fonteles (PT/PI), além de representantes de entidades sindicais, estudantis e movimentos sociais, que saudaram os acampados pela luta e pelas conquistas.
O Acampamento Nacional pela Reforma Agrária e as mobilizações realizadas pelo MST e pelos movimentos da Via Campesina garantiram o anúncio de medidas que representam uma vitória dos trabalhadores diante do quadro de lentidão da Reforma Agrária no Brasil: a atualização dos índices de produtividade, o descontingenciamento do orçamento do Incra para a obtenção de terras e a desapropriação da Fazenda Nova Alegria, em Felisburgo(MG).
Na reunião com os Sem Terra, em Brasília, o governo federal garantiu que a atualização dos índices, que não ocorria desde 1975, será publicada em 15 dias. Com isso, o Incra poderá desapropriar propriedades
improdutivas, que não estavam disponíveis para reforma agrária porque eram utilizados parâmetros de 30 anos atrás.
Os ministérios do Planejamento e da Fazenda liberaram o orçamento previsto para a aquisição de terras pelo Incra, que estava contingenciado em R$ 338 milhões.
Cerca de 1.180 hectares da Fazenda Nova Alegria, no norte de Minas Gerais, serão desapropriados para o assentamento de 50 famílias que foram vítimas do Massacre de Felisburgo – em que morreram cinco trabalhadores rurais em 20 de novembro de 2004.
“O atendimento de parte de nossa pauta é uma conquista da mobilização do acampamento e dos estados nesta jornada, mas ainda são insuficientes para solucionar as necessidades dos trabalhadores rurais acampados e assentados”, analisa Marina dos Santos, da Coordenação Nacional do MST.
A pauta de desenvolvimento dos assentamentos e a situação das 90 mil famílias acampadas ainda permanecem sem solução, mas serão discutidas em reunião nesta quinta-feira (20/8), às 9h, com todos os
superintendentes do Incra. “Tivemos um salto de qualidade nas últimas reuniões e queremos que a comissão interministerial seja mantida para agilizar a Reforma Agrária”, explica Marina dos Santos. “Permaneceremos em estado de alerta e mobilização. Se os acordos não forem cumpridos ou as pautas pendentes não avançarem, voltaremos às ruas”, garantiu.
Acampamento Nacional garante conquistas históricas para Reforma Agrária
18 de agosto de 2009
O Acampamento Nacional pela Reforma Agrária e as mobilizações realizadas pelo MST e pelos movimentos da Via Campesina, que tiveram início na semana passada (10/8), garantiram conquistas importantes para os Sem Terra e conseguiram colocar em discussão no núcleo central do governo medidas para a realização da Reforma Agrária.
Na tarde desta terça-feira (18/8), a comissão interministerial que esteve em negociação com os movimentos sociais anunciou medidas que representam uma vitória diante do quadro de lentidão da Reforma Agrária, avanço do agronegócio e crise econômica mundial: a atualização dos índices de produtividade, o descontingenciamento do orçamento para a obtenção de terras e a desapropriação da fazenda Nova Alegria, em Felisburgo (MG).
“O atendimento de parte de nossa pauta é uma conquista da mobilização do acampamento e dos estados nesta jornada, mas ainda são insuficientes para solucionar as necessidades dos trabalhadores rurais acampados e assentados”, analisa Marina dos Santos, da Coordenação Nacional do MST.
“Foi a nossa jornada de lutas que destravou compromissos históricos do governo e que estavam sendo descumpridos”, afirma Marina, lembrando que a atualização dos índices é fruto de mais de seis anos de pressão.
O governo federal garantiu que a atualização, que não ocorria desde 1975, será publicada em 15 dias. Com isso, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) poderá desapropriar propriedades improdutivas, que não estavam disponíveis para Reforma Agrária por serem utilizados parâmetros de 30 anos atrás.
Embora o governo tenha admitido os impactos da crise mundial, os ministérios da área econômica liberaram o orçamento previsto para a aquisição de terras pelo Incra, que estava contingenciado em R$ 338 milhões.
Cerca de 1.180 hectares da Fazenda Nova Alegria, que tem 2.400 hectares, na região do Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, serão desapropriados para o assentamento de 50 famílias que foram vítimas do Massacre de Felisburgo. No episódio ocorrido em 20 de novembro de 2004, cinco trabalhadores foram mortos.
A pauta de desenvolvimento dos assentamentos e a situação das 90 mil famílias acampadas ainda permanecem sem solução, mas serão discutidas em reunião nesta quinta-feira (20/8), às 9h, com todos os superintendentes do Incra.
“Tivemos um salto de qualidade nas últimas reuniões e queremos que a comissão interministerial seja mantida para agilizar a Reforma Agrária”, explica Marina dos Santos. “Permaneceremos em estado de alerta e mobilização. Se os acordos não forem cumpridos ou as pautas pendentes não avançarem, voltaremos às ruas novamente”, garantiu.
MST realiza marcha e audiência com governo federal
18 de agosto de 2009
Mais de três mil trabalhadoras e trabalhadores do MST e da Via Campesina partem em marcha às 14h desta terça-feira (18/8), do Acampamento Nacional pela Reforma Agrária rumo à sede do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), em Brasília. Os trabalhadores pressionam pelo cumprimento das reivindicações apresentadas ao governo federal na última quarta-feira (12/8).
Uma comissão interministerial, formada após as mobilizações realizadas em 15 estados na semana passada, recebe o MST em audiência às 14h30 no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), para apresentar a proposta do governo em relação à pauta de reivindicação dos trabalhadores rurais. Ao término da reunião, os Sem Terra farão um balanço das negociações com o governo no local.
O MST cobra o descongestionamento de mais de R$ 700 milhões do orçamento do Incra para a desapropriação e obtenção de terras, para garantir o assentamento imediato das 90 mil famílias acampadas, e o investimento no passivo dos assentamentos já existentes, além da atualização dos índices de produtividade rural.
Trabalhadores protestam no Ministério de Minas e Energia
17 de agosto de 2009
Cerca de 600 militantes do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), do MST e de outros movimentos que integram a Via Campesina fazem uma mobilização a partir das 14h desta segunda-feira (17/08), em frente ao Ministério de Minas e Energia, em Brasília. O objetivo é denunciar os problemas sociais e ambientais causados pela construção de barragens no país.
Segundo dados de 2002 da Comissão Mundial de Barragens (órgão ligado à ONU), 1 milhão de pessoas foram expulsas de suas terras para dar lugar ao lago das barragens no Brasil. Destas, 70% não receberam indenização ou reassentamento.
“As barragens são verdadeiras fábricas de sem-terras. Tem mais pessoas sendo expulsas da terra do que sendo assentadas. Nós queremos que o governo tome as providências necessárias para que isso não continue acontecendo”, denunciou Gilberto Cervinski, da coordenação nacional do MAB.
Os movimentos também pretendem denunciar o funcionamento do atual modelo energético. Hoje, o Brasil paga umas das tarifas mais caras do mundo, mesmo tendo sua matriz energética baseada na hidroeletricidade, uma das fontes de produção mais baratas. “Do modo que o sistema energético está organizado hoje, quem se beneficiam são as grandes empresas multinacionais, que lucram com a venda da energia”, argumentou Cervinski.
A atividade faz parte do Acampamento Nacional Pela Reforma Agrária, que acontece desde o dia 10 de agosto nos arredores do estádio Mané Garrincha, em Brasília. Na manhã desta segunda-feira, os 3 mil
integrantes do Acampamento participaram de um debate sobre o petróleo. Na avaliação das trabalhadoras e trabalhadores rurais Sem Terra, a descoberta da camada do pré-sal é uma oportunidade de melhoria de vida do povo brasileiro, se sua renda for revertida em investimentos sociais.
Teatro marca presença no Acampamento Nacional
17 de agosto de 2009
Da Agência Brasil
É por meio do teatro que Agostinho Reis, 34 anos, dá sua principal parcela de contribuição para o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Casado e pai de dois filhos, desenvolve oficinas de teatro em acampamentos e assentamentos, onde estimula, por meio de peças, discussões sobre temas considerados relevantes para e por a comunidade.
"Um dos temas mais importantes entre os que abordamos é o da criminalização dos movimentos sociais no Brasil", disse. "O que nos motivou a fazer isso é o fato de muitas vezes termos sido classificados como terroristas por outros setores da sociedade", afirmou.
A violência doméstica é outro tema que já fez parte das peças, geralmente apresentadas na rua ou em palcos improvisados nos acampamentos do MST. "Mas não ficamos restritos ao público interno. Usamos as peças para estimular o debate com a sociedade e com pessoas não ligadas ao movimento", disse.
"Mas nosso público principal é o do MST. Até porque muitas vezes são eles quem nos pautam, quando os consultamos sobre quais temas, além dos apresentados nas escolas, gostariam de se informar", completa. "As pessoas geralmente aprendem ouvindo nossas peças. Mas o legal é que, por meio do teatro, muitos aprendem também por meio da fala, quando estão atuando", afirmou.
Segundo ele, são muitas as diferenças entre o tipo de teatro produzido no MST e o que é "consumido" em outros ambientes. "Nós fazemos um teatro diferente do teatro burguês, que decora e esquece textos com grande frequência e facilidade", disse.
A Constituição Federal também costuma ser tema das peças produzidas por Agostinho. "Além de explicar a Constituição e os direitos previstos por ela, buscamos apresentar algumas contradições, como por exemplo o fato do Estado não ser punido por não cumpri-la".
Agostinho garante que os temas não ficam restritos à reforma agrária. "Neste acampamento vamos apresentar uma peça intitulada A Crise Não é Nossa. Nela, há um personagem chamado de ''Voz Coletiva'' que questiona a origem da crise pela qual passa o país.
"Os diálogos caminham para a conclusão da real origem da crise, que é a elite mundial", explica o ator. "Nós nunca recebemos um tostão sequer dessa elite. Então não é justo que paguemos pela crise causada por ela", explicou.
Nascido no Piauí, Agostinho é um dos pré-assentados (termo utilizado para aqueles que ainda não tiveram concluídas todas as etapas de assentamento) de Gabriela Monteiro, assentamento situado em Brazlândia, cidade próxima a Brasília. Entrou para o MST há oito anos, após uma visita a um acampamento, quando ainda coordenava os jovens da Pastoral da Juventude, grupo ligado à Igreja Católica.
"Foi amor á primeira vista. Na época eu morava em Samambaia (cidade da região administrativa do Distrito Federal), e vi no MST uma oportunidade para construir algo na vida. Vi que, assim como eu, havia muitas pessoas sem condições de comprar terras para produzir, e resolvi fazer dessa a minha missão", lembrou.
Agostinho já estudava teatro na Pastoral da Juventude, e acabou aproveitando essa experiência para desenvolver oficinas de teatro. "Sob influência de Augusto Boal fizemos um trabalho inspirado no Teatro do Oprimido, que trabalha o público na cena, estimulando discussões sobre temas pré-estabelecidos", disse.
Com o MST, Agostinho teve condições de iniciar um curso de magistério e outro de comunicação em radio. "É um curso à distância desenvolvido por uma escola do MST", explica ele, que é um dos acampados em Brasília com o objetivo de cobrar dos governos Federal e estaduais medidas a favor da reforma agrária no país.
MST celebra 25 anos em Acampamento em Brasília
15 de agosto de 2009
Neste sábado (15/8), a partir das 20h, o MSTcelebra os seus 25 anos com uma grande festa no Acampamento Nacional pela Reforma Agrária, em Brasília. O cantor brasiliense Dadá Quixabeira será o responsável pela animação, com MPB e forró. Artistas do próprio MST também farão apresentações que lembrarão o aniversário do Movimento, comemorado em janeiro deste ano.
Há 25 anos, em Cascavel (PR), centenas de trabalhadores rurais decidiram fundar um movimento social camponês, autônomo, que lutasse pela terra, pela Reforma Agrária e pelas transformações sociais necessárias para o país. Atualmente, o MST está consolidado em 24 estados e segue organizando trabalhadores e trabalhadoras para que lutem por uma sociedade mais justa e fraterna.
Nesta semana, o MST e movimentos da Via Campesina realizam uma jornada de lutas para exigir o descontingenciamento de mais de R$ 700 milhões do orçamento do Incra para este ano e aplicação na desapropriação e obtenção de terras, além de investimentos no passivo dos assentamentos. As ações também reivindicam a atualização dos índices de produtividade, intocados desde 1975, e investimentos para o fortalecimento dos assentamentos nas áreas de habitação, infra-estrutura e produção agrícola. Parte significativa das famílias acampadas do MST está à beira de estradas desde 2003 e 45 mil famílias foram assentadas apenas no
papel.
Cerca de três mil trabalhadores e trabalhadoras rurais Sem Terra estão acampados em Brasília, nos arredores do estádio Mané Garrincha, em caráter de mobilização permanente. Desde a última segunda-feira (10/8), acontecem atividades de formação, culturais, marchas e protestos públicos para pressionar o governo federal.
Noite Cultural em celebração aos 25 anos do MST
Show de Dadá Quixabeira e Artistas do MST
Às 20h, no Acampamento Nacional pela Reforma Agrária- em frente ao estádio Mané Garrincha, Brasília.
Marina Silva e Sergio Leitão participam de debate no Acampamento Nacional do MST
14 de agosto de 2009
Como parte das atividades do Acampamento Nacional pela Reforma Agrária em Brasília, que reúne três mil trabalhadores rurais, o MST promove um debate sobre clima e meio ambiente, neste sábado (15/08), às 8h.
Participam da atividade a senadora Marina Silva (PT/AC), o diretor de Políticas Públicas do Greenpeace Brasil, Sérgio Leitão, e o representante da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, professor Afonso Murad.
Diante da crise mundial, que também é ambiental, o MST compreende que a Reforma Agrária tem papel fundamental na sustentabilidade do planeta. As emissões de carbono dos países em desenvolvimento estão ligadas ao modelo agroexportador, que promove a devastação das florestas e a expulsão dos camponeses.
“Defendemos a agricultura camponesa como alternativa para a produção de alimentos saudáveis, associado à conservação do meio ambiente, ao contrário das soluções de mercado, defendidas pelo sistema capitalista”, explica Luiz Zarref, do setor de produção, cooperação e meio ambiente do MST.
Trabalhadores protestam na Esplanada dos Ministérios
14 de agosto de 2009
Os três mil trabalhadores rurais Sem Terra que integram o Acampamento Nacional pela Reforma Agrária, junto a mil participantes de mais de 20 entidades sindicais, populares e estudantis do país, saíram em marcha na manhã desta sexta-feira (14/8), em Brasília, em defesa dos direitos do trabalhadores e contra as demissões causadas pela crise econômica mundial. Os manifestantes percorrem a Esplanada dos Ministérios desde às 9h30.
A Jornada Nacional de Lutas Contra a Crise une, hoje, trabalhadores de todo o país para exigir a manutenção do emprego e melhores salários, a ampliação dos direitos trabalhistas, a redução das taxas de juros e investimentos em políticas sociais.
“A prioridade do governo diante da crise econômica deve ser uma política de geração e defesa de empregos. Um programa massivo de Reforma Agrária pode criar 360 mil empregos diretos para a população do campo, por exemplo, além de garantir a soberania alimentar no campo e na cidade”, afirma Vanderlei Martini, da coordenação nacional do MST.
Estão previstos atos em todo o país dentro da Jornada Contra a Crise nesta sexta. Em São Paulo, está sendo realizada uma marcha na Avenida Paulista.
MST faz vigília em frente ao Incra Nacional
13 de agosto de 2009
Mais de dois mil trabalhadoras e trabalhadores do MST e da Via Campesina saíram em marcha na manhã desta quinta-feira (13/08) do Acampamento Nacional pela Reforma Agrária, nos arredores do estádio Mané Garrincha, em Brasília, rumo à sede do Incra Nacional. Os trabalhadores farão uma vigília na autarquia, em pressão pelo cumprimento das reivindicações apresentadas ao governo federal.
Entre os principais pontos cobrados está o descongestionamento de mais de R$ 700 milhões do orçamento do Incra para a desapropriação e obtenção de terra, para garantir o assentamento imediato das 90 mil famílias acampadas e o investimento nos assentamentos já existentes, com recursos para habitação, infra-estrutura, produção agrícola e educação.
Ocupação
Cerca de 500 trabalhadores ocupam nesta manhã a superintendência regional do Incra, a SR 28. Além de pressionar pelo cumprimento da pauta nacional, os manifestantes exigem o assentamento de 800 famílias acampadas no DF e Entorno.
MST ocupa o Ministério da Fazenda em Brasília
11 de agosto de 2009
Mais de três mil trabalhadores rurais do MST e da Via Campesina ocuparam, nesta manhã de terça-feira (11/8), o Ministério da Fazenda em Brasília. Os manifestantes exigem que Governo Federal invista na promoção da Reforma Agrária no País, além do desenvolvimento dos assentamentos já instituídos.
O MST exige o descontingenciamento de R$ 800 milhões do orçamento do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para este ano e aplicação na desapropriação e obtenção de terras, além de investimentos no passivo dos assentamentos.
Parte significativa das famílias acampadas do MST está à beira de estradas desde 2003. O ato também exige o assentamento das 90 mil famílias acampadas pelo país e o investimento em habitação, infra-estrutura e produção de 45 mil famílias que estão assentadas apenas no papel.
A ação faz parte da Jornada Nacional de Lutas por Reforma Agrária que acontece em todo o Brasil.
Acampamento Nacional reúne 3 mil trabalhadores no DF
10 de agosto de 2009
Três mil trabalhadores e trabalhadoras dos 24 estados onde o Movimento está organizado chegam hoje a Brasília. Ao longo do dia, as delegações das diferentes regiões do País vão se somando ao grande acampamento montado nos arredores do Estádio Mané Garrincha. A abertura oficial do acampamento está prevista para esta segunda-feira, às 19h.
Uma grande estrutura foi montada para receber os militantes do MST e de outros movimentos que integram a Via Campesina. “Cada estado tem sua cozinha e sua organização. É uma pedagogia que fomos acumulando ao longo de várias atividades de mobilização”, conta Cedenir de Oliveira, da coordenação da equipe de infra-estrutura.
“Viemos reafirmar a necessidade da Reforma Agrária, que é a forma mais barata e objetiva de resolver os problemas do campo. E para podermos assumir nosso compromisso de produzir alimentos saudáveis para a população brasileira”, afirmou José Batista de Oliveira, da coordenação Nacional do MST, durante entrevista coletiva realizada esta manhã.
O acampamento tem caráter de mobilização permanente, com atividades de formação, atividades culturais, marchas e protestos públicos para pressionar o governo. “Este governo assumiu a filosofia de fazer a Reforma Agrária sem conflitos. E isso não existe. Precisamos de uma política de enfrentamento ao latifúndio, à concentração dos meios de produção, à propriedade da terra, ao agronegócio”, complementa Marina dos Santos, da coordenação nacional. Ela reforça que no momento de crise do capital, a Reforma Agrária deve ser colocada como central para resolver os problemas da classe trabalhadora, pois gera empregos diretos no campo e indiretos na cidade.
“Decidimos fazer esse acampamento porque vemos que todos os compromissos assumidos pelo governo federal – antes e depois da eleição – não estão sendo cumpridos”, aponta Marina. No Brasil, 150 mil famílias vivem acampadas, 90 mil delas organizadas pelo MST. E cerca de 45 mil famílias estão assentadas, porém vivem em situação precária, sem os investimentos necessários. Uma das reivindicações é o assentamento imediato de todas as famílias.
E para que as famílias tenham condições de viver e produzir na terra, a segunda principal reivindicação é a reposição do orçamento para a Reforma Agrária, com ampliação dos recursos, para garantir o crédito necessário para a produção, educação, infra-estrutura.
Os acampados em Brasília se mobilizam também para cobrar a atualização dos índices de produtividade, intocados desde 1975, apesar da determinação constitucional de revisão a cada cinco anos. “É vergonhoso que as grandes empresas e o latifúndio temam a atualização dos índices, depois de 30 anos sem mudanças!”, aponta José Batista.
“Estamos aqui em busca de respostas concretas para nossos problemas concretos. Esperamos êxito em nossas negociações”.
MST lança Acampamento por Reforma Agrária em Brasília
7 de agosto de 2009
Brasília recebe mais de 3 mil trabalhadores e trabalhadoras rurais de 23 estados e do Distrito Federal do MST e outros movimentos da Via Campesina em um grande Acampamento por Reforma Agrária, a partir desta segunda-feira (10/08), em frente ao estádio Mané Garrincha. Às 10h, será realizada coletiva de imprensa na tenda em frente ao portão 8/9, para apresentar os objetivos e a programação do Acampamento.
A mobilização integra a Jornada Nacional de Lutas por Reforma Agrária e pretende jogar luz sobre três temas centrais para a efetivação de um programa de Reforma Agrária massivo e popular para o Brasil. O primeiro deles é o assentamento das 90 mil famílias acampadas pelo país e das mais de 45 mil assentadas apenas “no papel”, porque esperam por investimentos em habitação, infra-estrutura e produção.
Parte significativa das famílias acampadas do MST está à beira de estradas desde 2003. Das 353 mil famílias que ocuparam terras ou acamparam entre 2003 e 2006, 85% viviam na região Centro-Sul e Nordeste. Nessas regiões, foram assentadas 30% das famílias contabilizadas. Por outro lado, 70% dos assentamentos do governo estão concentrados na Amazônia. Menos de 15% de famílias acamparam e ocuparam terras na região Amazônica, somando 53 mil famílias. No entanto, 240 mil famílias tiveram a posse regularizada na região.
Os acampados exigem também a atualização imediata dos índices de produtividade, que são usados como referência para classificar como improdutivo um imóvel rural, que deve ser destinando à Reforma Agrária. A lei agrária de 1993 determina que esses números sejam atualizados a cada cinco anos, mas a tabela está intocada desde 1975. Depois da marcha do MST de 2005, o presidente Lula prometeu fazer a atualização dos índices, que depende apenas da assinatura de portaria pelos ministros do Desenvolvimento Agrário e da Agricultura. “É uma grande contradição que o agronegócio, que se gaba de sua produtividade, não queira a atualização dos índices”, afirma José Batista de Oliveira, integrante da coordenação nacional do MST.
Outra reivindicação do Acampamento é o descontingenciamento, por parte do Ministério do Planejamento, de R$ 800 milhões do orçamento do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para este ano e aplicação na desapropriação e obtenção de terras, além de investimentos no passivo dos assentamentos. O MST exige também a ampliação dos recursos previstos destinados à Reforma Agrária.
“Estamos perdendo mais uma oportunidade histórica de fazer a Reforma Agrária em nosso país, e é uma obrigação nossa recolocar esse debate na sociedade. É preciso garantir as conquistas econômicas e dialogar com toda a população sobre a importância do tema, principalmente no contexto de crise econômica mundial - que torna ainda mais urgente a realização da Reforma Agrária para a garantia de soberania alimentar e geração de empregos”, ressalta Oliveira.
Durante os dias de Acampamento, estão previstos estudos sobre a conjuntura agrária e debates sobre temas importantes para a construção de projeto popular de desenvolvimento do país, como clima e meio ambiente, energia e petróleo, previdência, juventude, comunicação, gênero e raça - além de marchas, protestos e atividades culturais.
Jornada nos estados
Na próxima semana, o MST promove marchas e mobilizações nas capitais para reivindicar Reforma Agrária. Em São Paulo, teve início nesta quarta-feira (05/08) a Marcha Estadual de Campinas a São Paulo, com 1,2 mil trabalhadores rurais.
Na quarta-feira (04/08), mais de 500 trabalhadores do MST do Pará iniciaram uma Marcha Estadual em Defesa da Reforma Agrária e Contra a Crise. A marcha conta com camponeses e camponesas vindos de todos os acampamentos e assentamentos do MST no estado, que farão um percurso de aproximadamente 200 km, do município de Irituia até a capital Belém, caminhando pela rodovia Belém – Brasília.
