Grandes transformações no campo abrem a perspectiva do MST se reposicionar na luta de classes
“A maioria é contra a Aracruz. Poderiamos ficar orgulhosos porque é um norueguês que tem êxito no exterior e ganha muito dinheiro. Mas não. Não estamos orgulhosos”, afirma Ingeborg Tangeraas, ativista norueguesa da organização NBS (Norwegian Farmers and Smallholders Union).
A Aracruz é uma empresa de capital aberto. A empresa da Noruega Lorentzen controla 28% das ações da empresa de eucaliptos.
Leia abaixo a entrevista com Ingeborg Tangeraas.
O povo noruega conhece a empresa Aracruz, produtora de celulose em larga escala no Brasil?
Sim, porque um dos responsáveis da Aracruz é um norueguês que mora no Brasil, Erling Lorentzen. A esposa dele é irmã do rei de Noruega, o que se pode chamar uma relação um pouco conflituosa. Tem capital norueguês dentro da Aracruz.
Como a sociedade norueguesa se posicina diante da atuação da Aracruz?
A Aracruz foi atacada muito forte por parte da União dos Camponeses, por parte da FIAN e por parte de organizações ambientais. Os ataques já vêm de vários anos. Sabe-se dos conflitos que a Aracruz criou com o povo indígena, e que a empresa está prejudicando o meio ambiente. O monocultivo não é sustentável.
E a população?
A maioria é contra a Aracruz. Poderiamos ficar orgulhosos porque é um norueguês que tem êxito no exterior e ganha muito dinheiro. Mas não. Não estamos orgulhosos. O fato do que a Aracruz está roubando ou ocupando território de indígenas criou uma reação forte no nosso povo. Tem muita floresta na Noruega, como também na Suécia e Finlándia, que formam a Escandinávia, no norte da Europa, onde foi fundida a empresa Stora Enso, que também produz celulose no Brasil. Porque não produzem a celulose lá na Europa? Para poder usar a madeira das árvores nativas da Escandinávia é preciso deixar crescer entre 10 e 30 anos. Em vez disso, o eucalipto já pode ser usado depois de 7 anos. E é muito mais barato produzir no Brasil, a mão-de-obra sendo mais barata.
