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Eucalipto gera preocupação em comunidades quilombolas de Bagé (RS)

Por Raquel Casiraghi
Fonte Agência Chasque

Comunidades quilombolas de Bagé, sul do Rio Grande do Sul, temem a chegada dos eucaliptos na região. A empresa Votorantim Celulose possui quatro mil hectares da árvore exótica já cultivados e em fase de plantio na BR-153, principal estrada que leva ao município.

Área caracterizada por latifúndios voltados à pecuária, muitos proprietários já venderam e pretendem negociar suas terras às fábricas de celulose, as quais oferecem preços mais altos do que a renda gerada pela criação de animais.

Eliege de Alves, moradora da Comunidade Coxilha das Flores, descreve a preocupação das famílias quilombolas que habitam há mais de dois séculos a região. Ela relata que durante a fase de preparação da terra para o plantio dos eucaliptos a área sofreu muitas queimadas. O campo também ficou seco, devido à aplicação de dessecante e formicida líquido, o que serve de alerta para a possibilidade de contaminação dos rios Palmas e Trairas. Estas fontes de água passam pelas florestas de eucalipto da Votorantim e ainda são utilizadas pelos quilombolas para lavar roupa e cozinhar alimentos.

"O eucalipto é uma árvore que foi trazida para se adaptar ao Brasil. E ela exige uma enorme quantidade de água para se desenvolver. O que a gente quer é preservar os nossos cursos de água, pois a comunidade, desde que se estabeceu aqui, vive da natureza e procura preservar ao máximo o meio ambiente", disse.

Eliege também destaca a questão da geração de empregos. Divulgada como uma das principais vantagens da implantação das fábricas de celulose no Estado, a moradora conta que a Votorantim não empregou nenhum habitante da região. Os cerca de 20 funcionários da empresa são trazidos de municípios vizinhos.

"Aqui não tem emprego, o que existe é gerado nas fazendas. A Votorantim vem para cá também com a promessa de gerar emprego, mas até o momento, não tem nenhum integrante da comunidade com emprego. Todos os que estão empregados são de fora da comunidade", argumenta.

Além de Coxilha das Flores, existem mais cinco comunidades quilombolas na região de Bagé.

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