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Com ocupação do Ministério da Fazenda e ações em 20 estados, Via Campesina consegue conquistas

Início » Especiais e Campanhas » Massacre de Eldorado dos Carajás: 10 anos de mortes e impunidade

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Ana Júlia
Senadora Ana Júlia, senadora do Partido dos Trabalhadores do estado do Pará. Quero dizer que como senadora do Estado campeão da violência, campeão de morte e também, infelizmente, campeão da impunidade. É lamentável que estamos fazendo 10 anos do massacre de Eldorado dos Carajás, agora no dia 17 de abril de 2006, e infelizmente não tem ninguém preso. A impunidade é a mãe da violência, ela incentiva a violência. É por isso que mais trabalhadores continuam sendo mortos. Nos não queremos mais a impunidade.

Antônio Nóbrega
Antônio Nóbrega, um misto de cantor, músico e dançarino. A conclusão que eu ando tirando do estado de coisas do mundo é que a impunidade anda completamente à solta. Portanto a impunidade em relação ao massacre de Carajás se insere na mesma cadeia de ultrajes morais a que parece que estamos nos acostumando cotidianamente, temos que a todo custo virar página do dia 17 de abril, com a justiça que se faz necessária, isso é absolutamente imprescindível para que nos aceitemos coma dignidade que aspiramos. Mas o que temos principalmente que fazer é nos colocar à serviço da transformação. Este sistema terrivelmente de distribuição de bens, em todos os sentidos tem de mudar. Se não mudar estaremos perpetuamente sujeitos à outros tantos Carajás.

Augusto Boal
Meu nome é Augusto Boal, eu sou escritor, professor, sou criador do Teatro do Oprimido, que é um método de ajudar todas as pessoas a usarem o teatro para lutarem com as suas opressões. Em relação à impunidade, o que eu queria dizer é que os seres humanos, só são humanos se estiverem acima dos animais em um elemento, que é a ética. A capacidade de comportamento moral, justo. Um país que não tem ética, um sistema de justiça que abandona a ética e sistematicamente absolve os culpados e condena os inocentes, este país ele produz o retrocesso.

Beth Carvalho
Quem fala aqui é Beth Carvalho. Cantora brasileira, e indignada co a impunidade no Brasil. Neste caso dos 19 sem terra, do massacre dos Carajás, que no próximo 17 de abril vai completar dez anos sem que nenhuns dos responsáveis, mandantes e executores tenham sido punidos. Isso é uma vergonha nacional. E eu como cantora e cidadã brasileira, peço justiça a este país.

Carlos Guedes
Meu nome é Carlos Guedes, eu tive o prazer de ser advogado do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra no Pará, entre 96 e 2002. Acompanhei todo o desenrolar do caso e posso de forma segura, afirmar que é um dos casos mais absurdos de impunidade. De todos os envolvidos no caso, só ao fim, foram condenados dois, e os dois receberam ainda diversos benefícios da Justiça após a condenação. Mas uma coisa tem que ser registrada, embora em termos concretos a resposta judicial tenha sido muito falha, a mobilização popular no Pará, e a tomada de consciência dos trabalhadores rurais na região, muito se deveu ao esforço do MST. A atuação do MST na região, na luta contra a impunidade de Carajás, colocou sem dúvida nenhuma a luta dos trabalhadores rurais na região num patamar mais qualificado.

Chico Buarque
Aqui quem fala é Chico Buarque, músico, brasileiro e como brasileiro eu quero lembrar vocês que dia 17 de abril vão se completar dez anos da chacina dos Sem Terra em Eldorado dos Carajás. 19 sem terra foram mortos e outros tantos ficaram feridos e os responsáveis ou mandantes por este crime permanecem impunes. Isto é uma vergonha para todos nós brasileiros.

Chico César
Olá quem fala aqui é Chico César, cantor e compositor da música brasileira. Estou aqui falando com você para manifestar o meu repúdio ao fato que já se passaram dez anos do massacre de 19 agricultores em Eldorado dos Carajás e ninguém foi punido por isso. Nenhum responsável seja ele autor material ou mandante intelectual. Então, isso é como se essas pessoas fossem mortas de novo a cada dia, a cada semana, a cada mês que passa e ninguém é punido. Eu como brasileiro me sinto envergonhado com a nossa justiça e sinto que aqueles que poderiam produzir alimentos, melhorar o país estão sendo mortos a cada dia pela falta de justiça em nosso país. Deixo aqui meu repudio ao massacre de eldorado dos Carajás e meu apoio aos trabalhadores sem terra de todo o Brasil.

Cristina Pereira
Eu sou a Cristina Pereira, atriz. Eu tenho vergonha da impunidade no Brasil. Neste momento eu gostaria de manifestar minha tristeza pela impunidade que até gora reine em torno deste caso muito dramático da história brasileira, diante do movimento mais organizado e mais importante que é o MST. Eu tava a oportunidade de conhecer algumas dessas pessoas que morreram neste massacre. Numa manhã, estava saindo de Curionópolis na companhia do padre Ricardo Rezende, e paramos na estrada num acampamento do MST. Ao entrar neste acampamento, era uma manhã muito bonita de sol, nós pudemos ver pessoas muito lindas conversando falando de arte, reunidas. E alguns jovens, comandados por um jovem de 17 anos, falando de teatro, da vontade deles fazerem um texto de teatro. Conversamos e eu prometi levar uns textos pra eles. Alguns dias depois este menino e estas pessoas foram assassinados, e eu fiquei com esta marca pra sempre comigo. Eu fiquei pensando em como estas pessoas poderiam continuar as suas vidas e que bem enorme elas poderiam ter feito.

Crônica
Salve, salve! Aqui quem fala é o Crônica do grupo “A Família”. Eu sinto vergonha da impunidade em Eldorado dos Carajás. O massacre é a prova viva da injustiça cometida contra nosso povo, o massacre do Carandiru, as tropas brasileiras no Haiti,as guerras nas favelas. Tudo isso demonstra que o judiciário no Brasil é falho. Enquanto os coronéis e seus soldados não forem punidos nossa luta continua. Lutar sempre!

Dom Tomás
Eu me chamo Dom Tomás Balduíno. Sou bispo emérito de Goiás, e presidente da CPT nacional. Me envergonha Eldorado dos Carajás pelo lado da reação do poder. Primeiro pela repressão do Massacre, segundo pela impunidade aos autores do Massacre. Isso se tornou como um mancha que dificilmente se apagará na nossa história porque é uma história que continua a injustiça de Palmares contra os negros quilombolas, a injustiça de Canudos contra os camponeses, a do Contestado. É sempre o exército contra o trabalhador rural. Eldorado dos Carajás é a polícia militar como o braço armado do poder econômico e do poder político contra trabalhadores e trabalhadoras rurais.

Eduardo Suplicy
Aqui vos fala o senador Eduardo Matarazzo Suplicy, do Partido dos Trabalhadores, de São Paulo. Em 17 de abril de 1996 ocorreu uma das maiores tragédias na luta dos trabalhadores rurais Sem Terra pela realização da Reforma Agrária, quando 19 trabalhadores foram mortos pela ação irresponsável de policiais militares, que foram instados pelos responsáveis pela segurança pública do governo do estado do Pará a desobstruírem uma estrada onde se realizava uma manifestação pacífica. É muito importante que neste 17 de abril de 2006, onde se completa dez anos da chacina de Eldorado dos Carajás, nós ainda vemos que perdura a impunidade dos responsáveis por aquele massacre. É muito importante que nos relembremos e cobremos das autoridades do Poder Judiciário as ações necessárias para a realização do julgamento, assim como quero aqui externar o quão importante é que o governo do presidente Lula possa efetivamente acelerar as ações de Reforma Agrária, aumentando o número de assentamentos, cumprindo a sua meta de assentar pelo menos 400 mil famílias até dezembro deste ano. E também tomando medidas importantes, tais como, a de estar regulamentando os novos índices de produtividade.

Fred Zero Quatro
Aqui e o Fred Zero Quatro. Sou compositor e líder da banda Mundo Livre S.A. Estou falando aqui de Recife, Pernambuco. Eu tenho vergonha da impunidade porque cada vez mais a impunidade numa nação como o Brasil, vem colocar em cheque toda a noção que agente tem de cidadania e república. Enquanto exemplos como este do Massacre de Eldorado dos Carajás permanecerem manchando a imagem do Brasil, é obrigação de todo cidadão brasileiro continuar pressionando de todas as formas o judiciário para que em algum momento a justiça seja feita e a nação brasileira possa dormir com a consciência tranqüila de que a memória, não só desse massacre, de todos os massacres históricos envolvendo conflito da terra e todos os outros, não serei negligenciado por este país, eu como cidadão e como músico, eu clamo por justiça e pelo avanço das lutas populares para que este e outros massacres não sejam esquecidos. O grande latifundiário de hoje com certeza foi o grande invasor de ontem.

Frei Betto
Eu sou Frei Betto, escritor, frade dominicano, eu tenho vergonha da impunidade em Eldorado dos Carajás, e peço a Deus que fortaleça cada vez mais os movimentos populares, a sociedade civil brasileira organizada, para que leve o poder judiciário, leve os três poderes a agirem com decisão, com ousadia, com coragem para eu se faça justiça no caso de eldorado dos Carajás, e também em outros casos nos quais ainda perdura a impunidade, envergonhando Brasil, envergonhando a nossa história.

João Alfredo
Meu nome é João Alfredo, advogado e deputado federal pelo P-Sol. O caso de Eldorado dos Carajás, que já completa dez anos, é um caso simbólico, porque durante estes dez anos os principais mandantes sequer foram julgados, vários dos policiais foram absolvidos e aqueles que condenaram ainda continuam na impunidade. Por isso que é preciso lutar, lutar muito. Não só para que o caso de Eldorado dos Carajás saia da impunidade, mas para que todos os assassinos, tanto os executores, quanto os mandantes de trabalhadores e trabalhadoras rurais, de lideranças sindicais e lideranças religiosas, sejam efetivamente punidos na forma da lei e que seja também realizada uma ampla reforma agrária no país, por que ela sim é que poderá trazer a paz e a justiça para o campo brasileiro.

José Arbex Jr.
Meu nome é José Arbex, sou jornalista sou também professor de jornalismo na PUC de São Paulo. O massacre em si não foi novidade por que infelizmente a história do povo brasileiro é uma história de massacre. Basta ver o que aconteceu em Quilombo dos Palmares, em Canudos e tantos outros episódios. A grande questão do massacre de Eldorado de Carajás, portanto, não foi a novidade, mas foi o fato de ele ter exposto de forma tão crua a violência dos proprietários brasileiros, numa época em que todo mundo achava e dizia que o Brasil era uma democracia. Então na verdade não existe uma democracia, o que continua existindo é a impunidade dos ricos e o sofrimento dos pobres. Exigimos a punição dos responsáveis e não nos conformamos com este clima de impunidade.

Leci Brandão
Caros amigos, aqui quem fala é Leci Brandão. Eu sou cantora e compositora brasileira. O Brasil além de se destacar no futebol e no carnaval, ele também e campeão da impunidade quando se trata de punir poderosos. È inadmissível que ao longo deste dez anos nenhuma autoridade de nenhum poder, tenha tido a coragem de rever o julgamento vergonhoso dos assassinos de Eldorado dos Carajás. Eu só espero que os sobreviventes conscientizem o povo do Pará, para que a resposta à esta impunidade seja dadas nas urnas. Sem armas e sem violência, com voto e consciência.

Leonardo Boff
Meu nome é Leonardo Boff, representante membro da Comissão Internacional da Terra. O Massacre de Eldorado dos Carajás envergonha o Brasil e nos faz passar vergonha no mundo inteiro. Por minha atividade de conferencista viajo muito à Europa e América Latina. Depois da palestra sempre há um ou outro que pergunta: O que resultou o processo do Massacre de Eldorado dos Carajás contra o Sem Terra? Isso ficou na memória da humanidade e eu tenho que dizer por vergonha que ninguém foi condenado e os dois condenados estão em liberdade. Que é uma franca impunidade injustiça porque a lei é a lei do mais forte. O judiciário e os governantes são mancomunados com os poderosos, grandes fazendeiros, madeireiros, pessoas do agronegócio. Se não há justiça, continua a impunidade. Por isso esta vergonha, e esta ofensa sistemática aos direitos das vítimas merecem o nosso desprezo, nossa crítica e nossa indignação. Por isso eu conclamo para que se faça justiça no campo, especialmente se condene esses que massacraram em Eldorado dos Carajás.

Letícia Sabatella
Meu nome é Letícia Sabatella eu também tenho profunda dor com a impunidade que assola nosso país. Eu presenciei através dos jornais, e de pessoas que conheci que viveram o horror que foi o episódio de Eldorado dos Carajás. Mulheres, mães de família, pessoas mais velhas que foram covardemente assassinadas e que até hoje não tem algum resgate possível por parte dos nossos governantes, do nosso sistema jurídico, da nossa sociedade em geral em relação à este massacre. Recuperar as vidas é impossível, mas que algum resgate seja feito através da nossa sociedade.

Luci Choinacki
Eu sou a deputada Luci Choinacki, do partido dos trabalhadores de SC. E como trabalhadora, como política Brasileira, comprometida com as causas sociais, eu tenho vergonha do massacre de Eldorado dos Carajás a falta de punição, a conivência do Estado com o latifúndio. A justiça seja feita, e precisamos mais urgente. Precisa botar um ponto final, por isso a punição é fundamental e necessária.

Marcelo Yuka
Meu nome é Marcelo Yuka, eu sou compositor e ativista social. Eu quero aproveitar este momento para mostrar minha indignação enquanto ao massacre de Eldorado dos Carajás. Mostra mais uma vez o alto da impunidade neste país. Exemplifica pro mundo que a justiça está sempre do lado dos poderosos. Além de ser uma vergonha mostra que a elite deste país não larga o osso e não quer ver este país andar pra frente. Em 500 anos pouca coisa mudou.

Marcos Winter
O meu nome é Marcos Winter, eu sou ator, cidadão brasileiro, e indignado com a situação que o país vive e principalmente por conta da impunidade. A gente ta passando momentos no Brasil em que a justiça tem que ser feita para que siga de exemplo e a gente tenha um país mais justo e viável de se viver. Então, por favor, justiça e punição, por favor.

Nilo Batista
Eu sou Nilo Batista, advogado, eu participei do julgamento de eldorado dos Crajás representando as vítimas daquela chacina. Eu fiquei frustrado pelo resultado e também pelos caminhos daquele julgamento, mas eu acho que a maior lição que nos resta é de que aquele sacrifício não foi em vão é persistir na luta em todos os focos. Na luta pela democratização do judiciário, na luta pela reforma agrária.

Oscar Niemeyer
Eu sou Oscar Niemeyer, arquiteto, e quero protestar contra a impunidade dos responsáveis pelo massacre de Carajás.

Paulo Betti
Alô ouvintes, meu nome é Paulo Betti e estou impressionado que após dez anos do Massacre de Eldorado dos Carajás os responsáveis estejam soltos e nenhuma justiça tenha sido feita. Nós que vivemos no Brasil temos a impunidade como fator maior de nossas desgraças e eu tenho vergonha da impunidade. Dez anos do Massacre de Eldorado dos Carajás e nada foi feito para punir os culpados. Eu tenho vergonha da impunidade.

Pedro Munhoz
Olá. Meu nome é Pedro Munhoz. Sou músico e compositor. Depois de dez anos do Massacre de Eldorado dos Carajás a impunidade continua. Queremos justiça nesse país. Prisão aos culpados.

Pereira da Viola
Meu nome é Pereira da Viola. Sou violeiro cantador, presidente da associação nacional dos violeiros, moro em MG. Eu gostaria de deixar aqui registrado, a questão do Massacre dos trabalhadores do MST em Carajás, que o Brasil tem que despertar com uma coisa de visualização que nós estamos crescendo, estamos evoluindo, enquanto seres humanos

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