Com ocupação do Ministério da Fazenda e ações em 20 estados, Via Campesina consegue conquistas
O MST realiza bloqueios temporários em 12 pontos de rodovias do Rio Grande do Sul, a partir das 13h00 desta segunda, para denunciar os 10 anos de impunidade do Massacre de Eldorado dos Carajás. As estradas estão sendo bloqueadas durante 19 minutos, para lembrar a morte de 19 trabalhadores rurais no dia 17 de abril de 1996. O MST também realiza manifestações em 23 Estados do Brasil.
Os bloqueios acontecem nos municípios de Dom Pedrito, Canguçu, Nova Santa Rita, Júlio de Castilhos, Tupanciretã, São Luiz Gonzaga, Arroio Grande, Piratini (em dois locais diferentes), Hulha Negra, Sarandi e Almirante Tamandaré. As manifestações reúnem, ao todo, cerca de dois mil integrantes do MST. Em Porto Alegre, o MST fará panfletagem em universidades e no centro da cidade.
A jornada de lutas do MST em todo o Brasil tem como objetivo denunciar a impunidade pelo massacre de 19 trabalhadores rurais, assassinados por policiais militares em Eldorado dos Carajás (PA), em 17 de abril de 1996. Naquele dia, três mil famílias Sem Terra, que ocupavam uma rodovia para exigir a desapropriação de um latifúndio improdutivo, foram cercadas por tropas que cumpriam ordem do governador do Estado na época, Almir Gabriel (PSDB). Os PMs assassinaram 19 Sem Terra, sendo que outros três morreram anos depois em razão das seqüelas. Dos 144 incriminados, os dois únicos condenados - o coronel Mário Collares Pantoja e o major José Maria Pereira de Oliveira - estão em liberdade. Os responsáveis políticos, o governador Gabriel e o secretário de Segurança Pública, Paulo Sette Câmara, não foram indiciados.
O dia 17 de abril se transformou no Dia Internacional da Luta Camponesa. Em 2002, o governo brasileiro assinou um decreto estabelecendo a data como Dia Nacional de Luta pela Reforma Agrária. Com a jornada nacional de lutas, o MST também está exigindo o assentamento imediato das 120 mil famílias que vivem em acampamentos, conforme promessa do ex-ministro Miguel Rossetto. O MST também exige que o governo federal assine a portaria que atualiza os índices de produtividade das fazendas, que são da década de 1970.
