Com ocupação do Ministério da Fazenda e ações em 20 estados, Via Campesina consegue conquistas
Dezenove minutos de silêncio. Todos os dias às 17h50, no horário do Massacre de Eldorado dos Carajás (PA), os jovens reunidos no 1º Acampamento Pedagógico prestam uma homenagem aos dezenove trabalhadores rurais que tombaram em 1996.
O acampamento teve início em 1º de abril e está montado na Curva do S, local da chacina dos Sem Terra. Ontem e hoje, os jovens do MST se reuniram para reconstruir o monumento das Castanheiras, também às margens da rodovia PA-150. Inaugurada em 1999, a obra tinha 19 castanheiras queimadas para simbolizar os mortos, mas 11 se deterioraram com o tempo.
”Nós achamos que elas durariam um pouco mais. Como consideramos importante que esse símbolo continue vivo aqui na Curva do S, decidimos gerar uma nova edição dele, com outras castanheiras queimadas e mutiladas. Não quisemos simplesmente reconstruir”, explica Emanuela Souza, que junto com artista plástico Dan Baron, elaborou o projeto do monumento.
A idéia das castanheiras foi da própria comunidade do assentamento 17 de abril. “Começamos ouvindo as viúvas e os mutilados e depois todos os Sem Terra, inclusive de vários acampamentos e assentamentos da região, que falaram um pouco da sua participação no dia do Massacre. Eles disseram que se sentiam como as castanheiras queimadas”, afirmou Souza. As árvores, originárias da região de Eldorado dos Carajás, sofreram com intensas queimadas nos últimos anos. “Quando se anda por aqui, percebe-se que é um verdadeiro cemitério de castanheiras”.
A comunidade se envolveu na construção e agora pretende fazer um novo monumento. A idéia inicial era plantar, ao lado das castanheiras, 19 mudas que simbolizassem a cicatrização das feridas abertas pelo Massacre. Porém, como a terra no local é muito ruim, o monumento foi transferido para a praça da comunidade, em frente à escola. “Na próxima semana vamos ter um processo de recuperação da memória do Massacre e plantaremos essas mudas na forma do mapa do Brasil, como é o primeiro monumento”, colocou Souza.
Além de trabalhar nos monumentos, os jovens participam de seminários e oficinas.Ontem eles discutiram as drogas e o problema social que elas ocasionam. A apresentação foi feita por uma das médicas do MST formadas em Cuba no ano passado.
