Os 200 trabalhadores e trabalhadoras Sem Terra do 1º Acampamento Pedagógico de Jovens do MST, montado no Pará em memória aos 10 anos do Massacre de Carajás, participam de diversas atividades desde 1º de abril.
O acampamento fica no mesmo local da chacina dos 19 Sem Terra, na curva do “S”, trecho da rodovia PA-150, entre os municípios de Curionópolis e Eldorado dos Carajás. O local é um centro de encontros, seminários e oficinas em torno de temas ligados à Reforma Agrária.
Os jovens participaram de discussões sobre o Programa de Incentivo à Comercialização dos Assentados do Pará (Proinco), promovido em parceria do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) com o MST. Foram discutidas também novas formas de venda de alimentos, em especial com a formação de cooperativas.
Os estudantes do ensino médio discutiram políticas públicas no estado do Pará para trabalhadores rurais assentados. Nesta terça-feira, começou o encontro dos educadores do EJA (Ensino de Jovens e Adolescentes).
Outras atividades aconteceram, como oficinas de rádio, reciclagem, artesanato, técnicas de produção de cartazes e prática de leitura e produção de textos.
Entre as atividades do acampamento, foram organizados seminários para os jovens Sem Terra. Jorge Almeida, integrante da Comissão Pastoral da Terra do Pará, fez uma apresentação sobre trabalho escravo no Brasil. Houve discussões sobre igualdade de gênero e Aids/DST, para informar os jovens Sem Terra da importância do sexo seguro e da prevenção às doenças sexualmente transmissíveis.
Em 17 de abril, quando se completa 10 anos do Massacre de Eldorado de Carajás, mais de 20 mil pessoas participam de um ato no local em memória dos Sem Terra assassinados. Em diversos estados devem acontecer manifestações contra a impunidade.