Depoimento de Raimunda da Conceição de Almeida, 62 anos, esposa de Leonardo Batista de Almeida, assassinado no Massacre.
Como foi o dia?
Aquele dia foi sofrido. Eu estava sentada debaixo de um pé de manga e escutei os tiros. O meu marido, Leonardo, estava do caminho. Quando reparei, ele estava correndo. Ele voltou para buscar as coisas, as roupas, a bolsa, o documento. Depois só vi ele morto.
Onde ele foi baleado?
Na cabeça. Eu estava na curva do S. Eu corri e ele disse “vamos embora que estão matando gente”. Ele disse para eu ir com o nosso filho e eu caí no mato. Ele falava que não ia enfrentar a polícia. Me escondi na lagoa, tinha muita gente. Fiquei um tempo lá e saí depois, já tinha acabado.
Você recebe alguma coisa?
Recebo uma pensão de 360 reais. Mas agora não estou recebendo mais. Mostrei os extratos para o gerente, que disse que tinha descontado para um projeto. Há dois meses recebo só 220 reais. Não dá nem para comer. Dizem que iam pagar esta indenização, mas só falam.
Como a senhora reorganizou sua vida?
Assim devagar mesmo. Não posso trabalhar e meu menino também não, porque está estudando. Vou levando a vida do jeito que deus quer.