Grandes transformações no campo abrem a perspectiva do MST se reposicionar na luta de classes
Antes mesmo de nascer o dia, a Rádio Brasil em Movimento já entra no ar para ajudar na organização dos marchantes. Ao longo da caminhada, a programação da rádio mistura notícias internas e boletins com a cobertura da Marcha feita pela grande imprensa, dicas de saúde e música.
A maior parte das canções, frutos da oficina de arte divida nas frentes de Teatro, Artes Plásticas e Música promovida pelo MST em abril deste ano, são tocadas ao vivo e têm como tema a própria caminhada. São elas o Hino da Marcha, Marcha Brasil, entre outras já decoradas pelos marchantes.
Cida Dias é uma das cantoras que animam a Marcha Nacional de cima do trio elétrico. Ela esteve na oficina, que contou com participantes de vários estados brasileiros. "A música é uma rápida fonte de conscientização", diz a cantora, que veio da Paraíba para participar da oficina e da Marcha. Mais do que animar, a música tem papel de resgate histórico. Pedro Munhoz, um dos músicos a organizar a oficina, ressalta que em todos os processos revolucionários da humanidade a música esteve presente. "O papel do artista é estar junto do povo e ser povo também", afirma Munhoz.
A história do Movimento também pode ser contada através de suas músicas, presentes desde o momento de sua fundação. "De certa forma, esta oficina é síntese de todos esses anos de experimento, ela demonstra que a cada dia melhoramos nossa composição e contamos nossa história com mais poesia", explica Mineirinho, que acompanhou a oficina pelo coletivo nacional de cultura.
Apesar de sempre estar presente no Movimento, a idéia de promover oficinas de música nasceu em 1997, na primeira experiência nacional do gênero. A partir daí, passou a ser estimulado o resgate da arte como valor.
Na oficina de abril também estiveram presentes nos trabalhos de organização e estudo os músicos Tales Ribeiro, Ana Mascarenhas, Victor Batista, José Pinto, entre outros.
Na hora do cansaço, a música se torna fundamental. "Daqui de cima, quando vemos os marchantes ultrapassando seus limites e se esforçando tanto, nos sentimos renovados", afirma Cida, que no próximo ano pretende estudar Música em Cuba.
