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"Monsanto é o símbolo da destruição da agricultura"

1 de fevereiro de 2007

Vandana Shiva, fundadora de associação de defesa da biodiversidade, que denuncia as transnacionais que tutelam os agricultores do Terceiro Mundo. "Uma empresa como a Monsanto - que assina contratos com os agricultores e lhes impõe a compra de sementes geneticamente modificadas nefastas ao meio ambiente e às práticas agrícolas - que, para mim, são genocidas. A Monsanto, que fabricava gases mortais durante a guerra do Vietnã, reconverteu-se à agroquímica, mas é bom não se enganar", diz Shiva.

A ativista também criou a associação Navdanya, que luta pela conservação da biodiversidade indiana, prêmio Nobel Alternativo em 1993 e dirige a Fundação de Pesquisa em Ciência, Tecnologia e Recursos Naturais.

"Os agricultores devem se organizar entre si, em bancos rurais, mobilizar as populações locais para não mais comprar essas sementes geneticamente modificadas. Há iniciativas na África, na Etiópia, por exemplo, onde as mulheres se reagruparam em defesa da sua terra. As mulheres são o futuro da agricultura, são elas que, desde sempre, fazem as famílias viver", aponta como saída.

Ela é também autora de vários livros, dentro os quais se destaca Biopiratiaria. A pilhagem da natureza e do conhecimento (Vozes, 2001). Vandana Shiva concedeu uma entrevista, em Nairobi, ao jornal francês Libération, em janeiro, que foi traduzida pelo Cepat.

Quem você acusa quando denuncia a expansão das multinacionais na África e em outros lugares?

Uma empresa como a Monsanto - que assina contratos com os agricultores e lhes impõe a compra de sementes geneticamente modificadas nefastas ao meio ambiente e às práticas agrícolas - que, para mim, são genocidas. A Monsanto, que fabricava gases mortais durante a guerra do Vietnã, reconverteu-se à agroquímica, mas é bom não se enganar. As transnacionais são o símbolo da destruição da agricultura e da imposição de uma monocultura, com o apoio de fundações, tais como Bill Gates ou Rockfeller, portanto tidas como apoiadoras do desenvolvimento. O que lhes interessa é unicamente criar um mercado de sementes e tornar os agricultores totalmente dependentes de seus produtos. Repentinamente, os agricultores não podem mais fazer seus estoques de sementes, reutilizando-as no ano seguinte e são obrigados a comprar os fertilizantes. E de se endividar.

Quais são as conseqüências?

A biodiversidade e o ecossistema do continente africano estão em processo de destruição. Durante a colonização, a África teve que se curvar diante das exigências dos países europeus, que obrigaram os agricultores a cultivar o algodão em massa, por exemplo, e a abandonar as culturas de subsistência.

Hoje, é o modelo da revolução verte que prevalece. Em Penjab, região noroeste da Índia, 150 mil agricultores se suicidaram no espaço de 10 anos, porque seu campo não valia mais nada e porque não tinham mais do que viver, após terem abandonado sua cultura de subsistência que ao menos os tornava auto-suficientes e os alimentava! Quando se diz que no Sudão os cristãos lutam com os muçulmanos, é uma visão extremamente redutora que não toma em conta a luta pelos recursos naturais e pela terra. É quando não se tem mais terras, nem do que viver, que germinam as idéias extremistas e as guerras civis.

Quais são as soluções para os agricultores africanos que vieram para as mobilizações aqui no Fórum Social de Nairobi?

Os agricultores devem se organizar entre si, em bancos rurais, mobilizar as populações locais para não mais comprar essas sementes geneticamente modificadas. Há iniciativas na África, na Etiópia, por exemplo, onde as mulheres se reagruparam em defesa da sua terra. As mulheres são o futuro da agricultura, são elas que, desde sempre, fazem as famílias viver.

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