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Debater alternativas reais para o Brasil

A campanha eleitoral à Presidência da República já começou e com ela a comprovação daquilo que já era anunciado: a disputa será polarizada entre PT e PSDB. Como nenhum destes partidos têm projeto político para o país, as disputas se resumirão à denúncias de quem rouba mais. Se esse nível permanecer até o momento da votação, em outubro, certamente ocorrerá a comprovação de outra tendência que já se mostra: o descrédito da população com as eleições e com os partidos políticos. O resultado será um grande número de votos brancos e nulos.

Enquanto as campanhas se restringem às denuncias de corrupção é negada à população brasileira a oportunidade de debater os problemas estruturais que realmente afetam a vida do povo. Somos uma das maiores economias mundiais e, em contradição, temos uma das maiores desigualdades sociais do planeta. Segundo o relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) sobre o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) em 177 países, publicado em 2005, o Brasil ocupa o 8º lugar em desigualdade social. Ficamos a frente apenas da Guatemala e dos países africanos Suazilândia, República Centro-Africana e Serra Leoa.

Essa gigantesca desigualdade social num país rico tem suas causas nas políticas econômicas que sempre privilegiaram a concentração da riqueza e do poder político nas mãos de uma elite autoritária. Nenhum partido propõe uma política econômica que confronte os interesses da burguesia e promova uma distribuição social da riqueza produzida em nosso país. O estudo do PNUD revela ainda que a transferência de 5% da renda dos 20% mais ricos para os mais pobres, seria capaz de retirar 26 milhões de pessoas da linha da pobreza e reduzir a taxa de miséria de 22% para 7%.

A voracidade com que a elite brasileira se apropria da riqueza, se reproduz em escala internacional. De janeiro de 1995 a setembro de 2005, o Brasil pagou 1,325 trilhão de reais em juros ao sistema financeiro internacional. Somente de janeiro de 2003 a setembro de 2005, o governo Lula destinou à rapinagem internacional a quantia de 299,4 bilhões de reais. Nesse mesmo período, os investimentos do governo brasileiro não foram superiores a 25,7 bilhões de reais. E a elite, juntamente com o governo, nos fazem acreditar que é o capital internacional que financia o desenvolvimento do Brasil.

Projeto

Precisamos urgentemente encontrar formas de debater esses problemas com a população brasileira. A política foi reduzida à pequenas questões, à mediocridade de algumas lideranças partidárias e ao atendimento dos interesses particulares dos que controlam as instituições do nosso país. Essa forma de fazer política, além de garantir esse privilégios, escondem da população a causa dos verdadeiros problemas e quais são as saídas que vão promover a distribuição da riqueza produzida e a soberania do nosso país frente ao capital internacional.

Para se contrapor a essa forma da burguesia fazer política, precisamos resgatar nossa capacidade de interpretar o Brasil e de propor soluções estruturais para seus problemas. Também precisaremos criar nossos próprios meios de comunicação e de formação política, juntamente com nossa capacidade de mobilização popular, para fazer valer os direitos e interesses do povo brasileiro. A conquista de um país socialmente justo e soberano será uma obra da classe trabalhadora, jamais das elites.

Direção Nacional do MST

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