No início da manhã desta segunda-feira (8/6), cerca de 400 Sem Terra ocuparam o prédio da Superintendência Regional do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), na capital de São Paulo. Os trabalhadores reivindicam que o Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera) deixe de ser um programa e passe a ser uma política pública, além de voltar a pautar o descaso com a Reforma Agrária no Estado.
O Pronera é uma conquista dos movimentos sociais do campo que lutam pela Reforma Agrária no Brasil. Esse programa dá acesso à educação formal em todos os níveis, aos trabalhadores do campo, desenvolvendo ações de Educação de Jovens e Adultos (EJA). De 1998 a 2002, o Pronera foi responsável pela escolarização e formação de 122.915 trabalhadores(as) rurais assentados(as). De 2003 a 2008, promoveu acesso à escolarização e formação para cerca de 400 mil jovens assentados.
Os trabalhadores rurais ainda exigem o assentamento imediato de todas as famílias acampadas no estado de São Paulo, agilidade no processo de desapropriação de áreas para fins da Reforma Agrária e maior infraestrutura para os projetos de assentamento. As famílias protestam também pela inoperância do governo em relação a Reforma Agrária, que prioriza seus recursos para fomentar o agronegócio.
De acordo com o Plano Nacional de Reforma Agrária (2003), 1 milhão de famílias seria assentado em um período de 4 anos. O governo, por sua vez, se comprometeu a assentar 400 mil famílias. Em 2009, após 7 anos de governo, o número de assentados é de 167 mil famílias.
A mobilização faz parte da Jornada Nacional de Lutas em defesa da Educação e do Pronera, que acontece em várias cidades do país.