"O encontro é realizado no assentamento Nova Sarandi (RS) para resgatar a história da gênese do Movimento e para reafirmar para a sociedade e para a militância que a Reforma Agrária dá certo. Nos orgulhamos de acolher as 1500 companheiras e companheiros nesse assentamento, que é fruto da nossa luta". É assim que Cedenir de Oliveira, da coordenação nacional do MST, consegue sintetizar o motivo que faz de Sarandi a sede das primeiras comemorações desses 25 anos de história.
Nomes como Encruzilhada Natalino, Macali, Brilhante, Ronda Alta e Anonni são muito simbólicos para os Sem Terra. Aconteceram nessas fazendas as primeiras ocupações de terra com a bandeira do Movimento. Em 1981, mais de 8000 trabalhadores romperam a cerca da fazenda Anonni, numa madrugada de lua cheia, levando o lema do primeiro Congresso: "Ocupação é a única solução".
Hoje são cerca de 450 famílias morando nos quatro assentamentos originados da desapropriação da fazenda Anonni. São três escolas de ensino fundamental e uma escola técnica em agroecologia, duas cooperativas de prestação de serviços, uma cooperativa de crédito e outra de produção agropecuária. Estão instaladas também uma agroindústria de laticínios e outra de embutidos.
O impacto do assentamento na região é visível. O município de Pontão foi emancipado de Sarandi com a chegada das famílias assentadas. Mais de 70% da produção dos assentados é destinada aos municípios do entorno e da região de Passo Fundo.
"O Movimento se constrói por meio da valorização do sujeito coletivo. Cuidamos do que foi necessário para acolher o encontro: as famílias se envolveram na arrecadação de alimentos e na ornamentação, por exemplo. Isso reforça nossa pertença e identidade Sem Terra", conta Isaías Vedovatto, membro da coordenação estadual do MST no RIo Grande do Sul, orgulhoso do resultado de tantos anos de luta.