Enquanto as famílias do acampamento Terra Prometida, em Felisburgo (MG), seguem lutando pela terra onde perderam seus entes queridos, o fazendeiro Adriano Chafik Luedy respira tranqüilo os ares de sua injusta liberdade.
Chafik é réu confesso do assassinato dos cinco trabalhadores rurais Sem Terra, mortos durante o episódio conhecido como o Massacre de Felisburgo. No dia 20 e novembro de 2004, acompanhado por outros 16 pistoleiros, o fazendeiro invadiu o acampamento assassinou cinco trabalhadores Sem Terra, feriu 13 pessoas, queimou 30 barracos e destruiu uma escola.
Histórico da impunidade
Chafik já foi preso duas vezes. Em 30 de novembro de 2004, ele se entregou em São Paulo, porém em abril do ano seguinte ano, o STJ (Superior Tribunal de Justiça) concedeu um “habeas corpus” determinando sua soltura. No mês seguinte, a Justiça de Jequitinhonha voltou a decretar a prisão preventiva do fazendeiro e, mais uma vez, Chafik conseguiu seguir respondendo o processo em liberdade.
Quatro anos após o massacre, ainda não existe previsão para o julgamento do latifundiário. Isso porque o julgamento somente poderá acontecer quando o pedido de desaforamento – ação que transfere para outro local a realização das audiências, no caso para Belo Horizonte – for aceito pela Justiça. O pedido foi feito pelo pelos advogados do MST responsáveis pelo caso, pois temem que a influência política e econômica do fazendeiro na a região influencie na condução do processo.
Até agora, somente o julgamento de três dos pistoleiros envolvidos recebeu o desaforamento. Enquanto todos os pedidos não forem concluídos, não haverá data para o julgamento de Chafik.