Grandes transformações no campo abrem a perspectiva do MST se reposicionar na luta de classes
Cerca de 1.000 camponesas da Via Campesina, Assembléia Popular e Movimento Popular de Mulheres de Sarandi, liberam desde a manhã desta quinta-feira, várias cancelas de pedágios no Paraná, em Defesa da Soberania Alimentar. Dezenas de mulheres também participam de seminário sobre o assunto, em São Mateus do Sul.
A mobilização faz do Dia Internacional Em Defesa da Soberania Alimentar, que marca o dia 16 de outubro, Dia Mundial da Alimentação.As cancelas foram liberadas nas praças de São Luiz do Purunã, Cascavel, Imbaú, Ortigueira, Marialva e São Miguel do Iguaçu.
Os pedágios são hoje, um dos principais entraves para a pequena agricultura, que encarecem muito a distribuição dos produtos agrícolas, prejudicando os produtores no campo e os consumidores nas cidades. O que afeta diretamente o crescimento econômico do Paraná, pois todas as mercadorias já vêm com o valor do pedágio embutido. Ao todo, 72% de toda a riqueza brasileira é transportada pela malha rodoviária.
As camponesas denunciam a alta nos preços dos alimentos causada pela especulação financeira, pois hoje os produtos agrícolas se tornaram commodities, negociados nas bolsas de valores. Outro agravante é que o governo federal dá prioridade ao modelo agro-exportador do agronegócio que destrói o meio ambiente, e é controlado por transnacionais e o capital financeiro, que especula com o preço dos alimentos. Enquanto isso, os assentados, camponeses, pequenos e médios agricultores, responsável por 70% dos alimentos produzidos no Brasil, não recebem apoio do governo e acabam sendo muito prejudicados com a crise.
A Via Campesina cobra do governo federal a criação de políticas públicas para proteger a agricultura, priorizando a produção de alimentos e garantindo a soberania alimentar. É preciso promover a consolidação de um novo modelo agrícola, baseado em pequenas e médias propriedades, com a realização da Reforma Agrária, para a produção de alimentos saudáveis e baratos para o mercado interno.
->Confira também outras ações no Especial sobre o Dia Internacional de Luta pela Soberania Alimentar
