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Grandes transformações no campo abrem a perspectiva do MST se reposicionar na luta de classes

Início » Especiais e Campanhas » Jornada pela Soberania Alimentar 2008

Podemos acabar com a crise alimentar

Muitos jovens querem entrar à agricultura com modelos agroecológicos: produção sustentável, autônoma e venda dirigida à região da produção. Porém, as atuais políticas não o permitem nem favorecem a agroindústria.

Hoje, 16 de outubro, Dia Mundial da Alimentação da FAO, a Via Campesina divulga uma mensagem de esperança frente a crise alimentar mundial, derivada do modelo industrial e agro-exportador que afeta milhões de camponeses e camponesas e do conjunto da população do mundo todo.

É possível acabar com essa crise se desterrarmos o modelo que elimina camponeses e camponesas, destrói a biodiversidade e o meio ambiente e gera fome e miséria no mundo. A crise alimentar é o elo mais dramático da corrente de crises que está gerando o sistema econômico neoliberal – crise climática, energética, financeira, da biodiversidade... É o momento de mudar o rumo começando justamente na agricultura.

A alternativa é a Soberania Alimentar, que permite aos povos desenharem suas próprias políticas agro-alimentares que favoreçam a produção e distribuição camponesa local e sustentável para abastecer sua população.

A Via Campesina divulga esta mensagem em pleno processo de debate, por canta da sua V Conferência em Maputo (Moçambique), que reúne mais de 600 representantes camponeses e camponesas do mundo todo. Precisamente, 60% da comida que se consome em Moçambique é importada e o problema da fome e da desnutrição não diminui no país. Moçambique, como todos os países do mundo, necessita ser soberano na alimentação e impulsionar seu setor primário sustentável – com métodos que respeitem a natureza para alimentar a sua população e acabar com a fome.

Hoje, em Maputo, na Assembléia de Jovens enfatiza-se a necessidade de facilitar o acesso das novas gerações à agricultura e os meios de produção. Nesta Assembléia constata-se que há muitos jovens que querem entrar na agricultura com essa nova visão, condizente com a agroecologia e ainda não podem. A Via Campesina insta aos governos a facilitar o acesso destas pessoas jovens à terra, ao crédito e à ajudas para instalação, já que o futuro da agricultura e da alimentação depende de elas. De outra maneira, não haverá solução para a crise alimentar enquanto não se estenda a instalação de jovens na agricultura com modelos agroecológicos e soberanos.

Via Campesina Internacional

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