Grandes transformações no campo abrem a perspectiva do MST se reposicionar na luta de classes
Em março, mais de 16 mil mulheres da Via Campesina em 20 estados brasileiros se mobilizaram durante a Jornada de Luta contra o Agronegócio e contra a Violência: por Reforma Agrária e Soberania Alimentar. No ano em que é comemorado o centenário do 8 de março, as mulheres resgataram a data como o Dia alimentos saudáveis. A Reforma Agrária continua sendo
uma medida democratizante e importante para a implantação destas propostas”, afirma Marina dos Santos, integrante da coordenação nacional do MST. Para ela, o balanço mostra que as mulheres estão organizadas “no sentido de fortalecer a luta, dar Internacional de Luta das Mulheres Trabalhadoras, e questionaram o modelo de desenvolvimento imposto pelas empresas transnacionais, pelos bancos, pelo governo e pelo Estado para o campo brasileiro.
“Defendemos alternativas viáveis como a agroecologia, a agricultura camponesa cooperada, a produção de visibilidade à condição na qual vivem, bem como exigir dos governos o cumprimento dos protocolos e pactos através de programas que beneficiem a agricultura camponesa, além de políticas de enfrentamento à violência contra as mulheres”.
Confira o que aconteceu em cada estado:
Na BAHIA, mais de 1500 mulheres da Via Campesina, quilombolas e de outros movimentos fizeram um acampamento na UFBA, voltado à formação política. Ao final do encontro, realizaram uma grande marcha pelas ruas de Salvador.
No CEARÁ, mais de 400 mulheres acamparam em frente à indústria química Nufarm, na região metropolitana de Fortaleza. Elas fizeram protesto contra a fábrica, oitava maior produtora de agrotóxicos do mundo, e marcharam rumo ao palácio do Governo – onde entregaram
um manifesto exigindo a fiscalização da empresa.
No ESPÍRITO SANTO, 400 mulheres da Via Campesina fizeram protesto em frente ao Banco do Brasil em São Mateus. Elas também distribuíram um caminhão de alimentos para famílias de comunidades populares da região e doaram sangue para os hospitais locais.
Em GOIÁS, mais de 600 mulheres da Via Campesina fizeram um acampamento de formação e uma caminhada contra o agronegócio no município de Rubiataba.
No MATO GROSSO DO SUL, 300 mulheres percorreram as ruas centrais de Campo Grande, com faixas, cartazes e megafones, e entregaram ao Incra local uma pauta de reivindicações para melhorias na área de educação, saúde, crédito para as mulheres do estado.
Na PARAÍBA, 400 mulheres da Via Campesina marcharam pelas ruas do município de Sousa para denunciar o uso desenfreado de agrotóxicos pela empresa Santana.
As mulheres camponesas do MATO GROSSO promoveram uma campanha de doação de sangue em Várzea Grande e se reuniram no Encontro Estadual de Mulheres Trabalhadoras Rurais do estado.
No PARANÁ, cerca de 1000 camponesas ocuparam a Usina Central do estado, na cidade de Porecatu. O ato denunciou a monocultura da cana e o trabalho escravo.
No RIO DE JANEIRO, trabalhadoras da Via Campesina e do Comitê de Erradicação do Trabalho Escravo ocuparam a Usina Capim, em Ururaí, Campos dos Goytacazes. As manifestantes
plantaram árvores no local, que abriga o monocultivo da cana-de-açúcar.
No RIO GRANDE DO NORTE, 400 mulheres do campo e da cidade promoveram um acampamento de formação, em Natal.
Em RONDÔNIA, cerca de 200 mulheres da Via Campesina trancaram a estrada de acesso ao canteiro de obras da Usina Hidrelétrica de Santo Antônio. Em Porto Velho, elas protestaram contra a construção das barragens no rio Madeira e as consequências que as obras trazem para a vida das mulheres.
Em RORAIMA, as atividades das mulheres da Via Campesina começaram com um dia de debates na cidade de Santa Elena do Uairén, na Venezuela, próximo à fronteira com o Brasil. Mulheres de 13 movimentos sociais brasileiros participaram da “Marcha sem fronteira”,
realizada no município.
Em SANTA CATARINA, cerca de 5000 mulheres se mobilizaram nas cidades de Dionísio Cerqueira, Anita Garibaldi, Joaçaba, São Miguel do Oeste e Mafra, com seminários de formação e marchas.
Em SERGIPE, cerca de 1000 mulheres do MST acamparam numa praça em Aracaju. Elas doaram sangue e leite materno a hospitais locais e receberam a visita da médica cubana Aleida Guevara.
Em TOCANTINS, mais de 800 mulheres fizeram uma caminhada em defesa da vida, pelos direitos humanos e pela soberania alimentar. A marcha fez um protesto público contra a senadora Kátia Abreu em frente à Federação dos Fazendeiros e Produtores do Agronegócio do estado.
Em PERNAMBUCO, cerca de 350 mulheres ocuparam a sede da Secretaria de Agricultura em Recife. Mais 180 mulheres reocuparam, pela quinta vez, a Fazenda Uberaba, no município de Bonito, brejo pernambucano. Mais de 90 famílias ocuparam o engenho Cachoeira Dantas, no município de Água Preta. 200 mulheres do Acampamento Paulo Freire marcharam até a prefeitura de Tupanatinga. Em Caruaru, 1000 mulheres do campo e da cidade fizeram ato na prefeitura da cidade. Em Serra Talhada, 80 mulheres doaram sangue para o hospital local.
No RIO GRANDE DO SUL, 800 trabalhadoras da Via Campesina e movimentos urbanos promoveram palestras e ocuparam a Delegacia do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento em Porto Alegre. Elas ainda se somaram aos estudantes e trabalhadores urbanos para uma vigília na reitoria da UFRGS em protesto contra a votação do projeto do Parque Tecnológico.
Em MINAS GERAIS, 500 trabalhadoras rurais acamparam na praça da Assembléia Legislativa de Belo Horizonte.
Em ALAGOAS, as manifestantes acamparam em frente ao Palácio do Governo do Estado, em Maceió. Em Arapiraca, cerca de 350 trabalhadoras realizaram um ato. Em Delmiro Gouveia, uma marcha discutiu a construção do Canal do Sertão.
