Com ocupação do Ministério da Fazenda e ações em 20 estados, Via Campesina consegue conquistas
MAIS UMA VEZ a ofensiva do capital contra o MST está em evidência. No estado do Pará esta ofensiva ficou mais acirrada depois das ocupações das terras griladas do Grupo Santa Bárbara, que tem como acionista o banqueiro Daniel Dantas.
A imprensa divulgou imagens repetidas de casas depredadas, colocando os integrantes do MST como os autores. Já o Estado agiu de maneira mais severa. Até o momento, dez integrantes do Movimento tiveram a prisão decretada. Charles Trocate, da coordenação nacional do MST no estado, afirma que a atual perseguição é uma resposta às ocupações que foram realizadas na fazenda do banqueiro Daniel Dantas.
“O MST no Pará iniciou uma jornada de lutas reivindicando uma pauta básica: desapropriação das terras do Daniel Dantas, licença ambiental para os assentamentos e infra-estrutura social. É uma pauta que se arrasta há dois anos. Passando esse período, nenhuma resposta foi obtida e por isso resolvemos nos mobilizar, o que levou a essa reação do governo estadual. Nossas ações não têm nada a ver com as imagens publicadas na televisão e nas matérias da imprensa dominante. Isso é um álibi criado pela agropecuária”, afirma.
Para Dirceu Fumagalli, coordenador nacional da Comissão Pastoral da Terra (CPT), neste caso a mídia está fazendo um desserviço social. “A mídia faz com que a sociedade reproduza aquilo que ela consegue sintonizar, com imagens e discursos elaborados, atuando para a criminalização dos movimentos”. O cenário agrário do Pará é um dos mais conflituosos do país. Lutar pela terra no estado é lutar pelas questões agrárias da Amazônia, que envolvem, além da terra, água, floresta, minério, biodiversidade, entre outros, e lutar pelas questões sociais. Atuando em todos esses campos, o MST vem colecionando inimigos no estado.
“Há uma crescente disputa pelo território, pelo uso intensivo dos recursos naturais, gerando assim um conflito em que o Estado tem decidido pelos megainvestimentos, esgotando a possibilidade de avançarmos na democratização, em especial da terra”, analisa Charles.
Dos 7 milhões de paraenses, 4 vivem abaixo da linha da pobreza. Atualmente, existem no estado mais de 2,2 mil famílias acampadas em 11 acampamentos. Dados da CPT mostram que no Pará, de janeiro a novembro deste ano, aconteceram 126 conflitos no campo envolvendo mais de 63 mil pessoas. Além disso, houve sete assassinatos de trabalhadores, 17 tentativas e nove agressões. O Estado prendeu 33 pessoas ligadas a movimentos sociais.
