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Com ocupação do Ministério da Fazenda e ações em 20 estados, Via Campesina consegue conquistas

Início » Jornal Sem Terra » Avante! » Os inimigos da Reforma Agrária

Balanço e desafios para um novo ano

Número: 
299
Dez
2009

FINAL DE ANO é momento de fazer um balanço das atividades do período que passou, avaliar os avanços e as dificuldades encontradas e começar a planejar o ano que vem chegando.

2009 vai ficar marcado na história como o ano da grande crise capitalista que assolou os mercados financeiros de todo mundo. Crise que se iniciou nos EUA, mas varreu vários países, ricos e pobres, quebrando bolsas, bancos, empresas e as certezas dos grandes capitalistas no deus Mercado.

Tivemos a triste notícia que, segundo a ONU, o número de famintos já passa de 1 bilhão de pessoas, ou seja, a cada seis pessoas uma passa fome em alguma parte do mundo. Houve ainda um aumento da concentração da riqueza e renda no planeta.

A derrubada das florestas pelo agronegócio e a grande quantidade de carros produzidos no último período para salvar a crise têm agravado ainda mais os problemas ambientais, obrigando o mundo a debater o aquecimento global e suas consequências para a humanidade.

No país
No Brasil, o ano foi marcado por debates importantes, como a questão do pré-sal,
que pode mudar o rumo da economia e dos problemas sociais; a atualização dos índices de produtividade, promessa feita pelo presidente Lula, e a redução da jornada de trabalho para 40 horas, pauta antiga dos trabalhadores, incorporada por todas as centrais sindicais.

Mas também tivemos um ano marcante pela criminalização da pobreza e dos movimentos sociais. Temos visto que o Estado continua com posições conservadoras, judicializando os problemas sociais e criminalizando os movimentos que organizam as lutas e batalhas de resistência nas comunidades pobres das grandes cidades e do campo. A bancada ruralista orquestra ainda uma ofensiva no Congresso, com a instalação de uma CPMI que deve se arrastar ao longo do ano.

Os movimentos sociais e a esquerda ficaram mais pobres com a perda de militantes como Elton Brum, assassinado pela Brigada Militar do Rio Grande do Sul em um despejo de um latifúndio improdutivo, e também com as mortes do poeta uruguaio Mario Benedetti e da cantora argentina Mercedes Sosa.

Na Reforma Agrária
Fizemos grandes jornadas de lutas cobrando o cumprimento da Reforma Agrária, em abril e agosto, mas mais uma vez fechamos o ano com poucos avanços para a Reforma Agrária. Estima-se que foram assentadas menos de 20 mil famílias, ou seja, apenas 20% da meta proposta pelo Incra, de 100 mil famílias por ano. Mais de 96 mil famílias continuam acampadas, em sua maioria há mais de três anos debaixo de um barraco de lona.

Tivemos algumas melhorias nos assentamentos, como a expansão da energia elétrica, água encanada, moradia e infra-estrutura. No entanto, não houve avanços em uma questão central para o desenvolvimento dos assentamentos: a
implementação de agroindústrias e a política de crédito. O Pronaf tem se mostrado insuficiente para resolver os problemas dos assentados, mesmo aumentando o volume do crédito. Hoje temos mais da metade de nossas famílias inadimplentes e grande parte com muitas dificuldades para acessar novo crédito. Essa situação dificulta o aumento da renda das famílias.

Diante desse balanço, estamos convencidos de que precisamos continuar organizando as famílias Sem Terra para garantir o assentamento das famílias acampadas e melhorar as condições de vida das famílias já assentadas, avançando no debate e na implementação de uma Reforma Agrária popular.

Desafios
Precisamos iniciar o novo ano consolidando alianças com setores do movimento social e sindical do meio urbano, já que os desafios são grandes, em especial nos temasreferentes à atualização dos índices de produtividade. Precisamos contribuir na organização, junto com as pastorais sociais, do plebiscito pelo limite máximo da propriedade da terra no Brasil, fortalecer a luta pela redução da jornada de trabalho, seguir pautando, denunciando e enfrentando a criminalização dos movimentos sociais e lutar para garantir que os recursos provenientes do petróleo sejam destinados para o combate à pobreza e investimento na educação e na saúde de nosso povo.

O próximo ano terá o desafio das eleições e, mesmo sabendo das limitações da democracia representativa burguesa, entendemos que é importante aproveitar esse momento, em que a nossa base se envolve no pleito, para fazer um grande debate. É momento oportuno para discutir os problemas sociais e estruturais do país e pautar a necessidade da construção de um projeto popular para o Brasil. Precisamos votar nos candidatos socialistas e progressistas, comprometidos com a Reforma Agrária, e não deixar que candidaturas de direita se elejam com nossos votos.

O Brasil precisa mostrar ao mundo no próximo período que, mais do que ser o país das Olimpíadas ou da Copa, precisa ser o país de todos os brasileiros. Um país sem analfabetos e símbolo da produção agroecológica. O país onde não haja concentração de terra nem de renda. É esse o país que desejamos a todas e todos em 2010.

  • Contra uma luta legítima, a repressão
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