Com ocupação do Ministério da Fazenda e ações em 20 estados, Via Campesina consegue conquistas
Na trajetória histórica do MST, ao longo dos 25 anos, vivenciamos um processo de enfrentamento com o latifúndio, principalmente através das ocupações realizadas por milhares de famílias sem-terra. Ao mesmo tempo, ações como as ocupações de terra e prédios públicos, além das marchas colocaram em pauta a discussão da Reforma Agrária. Dessa maneira, sempre apresentamos ao governo federal questões necessárias para que haja uma política de Reforma Agrária em nosso país.
Durante o primeiro mandato do Governo Lula havia uma expectativa de garantir o assentamento de 1 milhão de famílias sem-terra, a partir do Plano Nacional de Reforma Agrária (PNRA), haja vista seu compromisso no período de campanha, afirmando que a Reforma Agrária seria uma das primeiras cinco reformas que faria em seu governo. Porém, com as eleições ganhas, o governo fez o opção pelo agronegócio e o PNRA não se implementou, ou seja, a Reforma Agrária, mais uma vez, ficou de lado, e saiu da pauta política do governo.
No entanto, a Reforma Agrária não saiu da pauta de luta do Movimento Sem Terra. Se o governo não acredita nela, o MST continua acreditando que é uma das saídas para os trabalhadores sem-terra e para a maioria da sociedade brasileira. Somente uma política de Reforma Agrária poderia garantir alimentos saudáveis e baratos na mesa dos brasileiros, garantir empregos, educação, saúde, enfim, condições dignas de vida.
Nesse sentido, estamos preparando mais uma jornada de lutas. Pois acreditamos que devemos manter sempre a combinação entre a luta massiva e uma pauta de reivindicação. Acreditamos que somente negociação, sem luta, não garante conquistas. Assim vamos nos organizar para que os pontos de pauta econômicos, como a terra para os acampados e infra-estrutura para os assentamentos sejam garantidos. Além de lutar para que a pauta estrutural, como a alteração do índice de produtividade e a reestruturação Incra, seja efetivado. Pautas, estas, que são permanentes em nossa história.
É uma necessidade e, ao mesmo tempo, uma obrigação de nossa parte, recolocar a questão da Reforma Agrária para o governo e para a sociedade. É necessário garantirmos as conquistas econômicas, mas também é necessário fazer o debate político da importância que continua tendo esse tema para a classe trabalhadora. Além disso, sempre aproveitamos os momentos de negociações para expressar nossas posições políticas em relação às questões gerais de interesse da classe trabalhadora e das forças políticas que apóiam nossa luta.
