Ana Maria Amorim
Radioagência NP
A USINA DE cana-de-açúcar Ariadnópolis, no município de Campo do Meio (MG), teve sua atividade suspensa no meio de grandes dívidas: mais de R$ 270 milhões à União e R$ 5 milhões aos seus antigos trabalhadores. A falência da usina fez com que seis mil hectares ficassem ociosos desde 1983.
Neste cenário de improdutividade da fazenda, além das irregularidades fiscais e trabalhistas, famílias Sem Terra ocuparam a região em 1998, chegando a um total de 12 acampamentos. Apesar do constante conflito, que gerou cinco mandados de reintegração de posse, os trabalhadores conseguiram atingir uma produção estimada em 1,6 mil sacas de feijão por ano, quatro toneladas de melancia, quatro mil pés de mandioca e plantações de milho, conforme laudo da Emater de Minas Gerais.
O sexto mandado de reintegração veio. Acompanhado dele, um grande aparato policial e nenhuma entidade de direitos humanos presente. No dia 18 de maio, foi efetivado o mandado referente ao acampamento Tiradentes, mas outros três acampamentos – Sul de Minas vive ofensiva contra Reforma Agrária Sidney Dias, Rosa Luxemburgo e Irmão Dorothy Stang – também sofreram o despejo irregularmente. A produção, com colheita, foi perdida, bem como as casas e barracos onde mais de 100 famílias moravam.
Mesmo com os recentes confrontos, não falta às famílias o horizonte da continuidade na luta para reverter a situação. “Nós não temos nada a perder a não ser enfrentar o latifúndio, a política do governo”, enfatizou Sebastião Marques, um dos coordenadores do MST. “Vamos ocupar a terra de novo, e se o governo não faz [a Reforma Agrária], vamos fazer por nossa conta”, declarou.