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Com ocupação do Ministério da Fazenda e ações em 20 estados, Via Campesina consegue conquistas

Início » Jornal Sem Terra » Mulheres da Via Campesina em luta

Iala: do sonho coletivo à experiência concreta

por Judite Stronzake
Coletivo de Relações Internacionais

Nasce a primeira Universidade Latino Americana de Agroecologia da Via Campesina. Nomeada como Paulo Freire, o Iala tem sua matriz na Venezuela, onde, desde 2006, se encontram estudantes de sete países, em curso de graduação em Engenharia Agroecológica. Em março de 2008, por
meio de um decreto presidencial, ela foi criada legalmente. A diferença desta universidade é que
ela tem sua origem no berço das várias lutas, mobilizações e organizações camponesas e indígenas que se organizam em torno da Via Campesina.

Resultado de uma soma de esforços com objetivo de qualificarmos e avançarmos na formação/ educação política e técnica da juventude que mora nas comunidades, a escola contribui para recuperar as sementes crioulas, alterar o modo de produção, concretizando a soberania alimentar e a organização social e econômica local. Investir em educação e formação estão entre as principais linhas dos destes movimentos sociais envolvidos.

O Iala Paulo Freire constitui-se como uma ferramenta de formação político- deológica e técnica dos camponeses e indígenas. Serve como instrumento de luta da classe trabalhadora internacional e de solidariedade entre os povos em luta. Um novo aprendizado para todas as organizações e movimentos do campo, de como unir a ideologia com a técnica a serviço da luta dos trabalhadores. O Iala é uma construção coletiva, um território de integração e solidariedade entre todos os lutadores e lutadoras das organizações de todos os países.

Desafios históricos

No segundo semestre de 2008, pela compreensão da importância política do Instituto, mais três Ialas: o Iala Guarani, em San Pedro, Paraguai; o Iala Amazônico, em Parauapebas, Pará; e um convênio de irmandade com a Universidade Paulo Freire da Espanha.Mas ainda é pouco pelo tamanho das necessidades que existem na formação de milhões de jovens camponeses. Temos
pela frente como desafio permanente a construção de um Programa de Formação e Educação de toda a região da América do Sul, envolvendo as variadas e grandiosas experiências de escolas
em formação de militantes com consciência ideológica e técnica em agroecologia. Em cada país e organização existe muita riqueza já produzida nesta área.

As experiências dos Ialas surgem nos marcos da Alternativa Bolivariana das Américas (Alba), que acontece na prática política com muito espírito de sacrifício de vários militantes que fazem acontecer
a experiência no dia-a-dia, muitas vezes privados de acesso aos recursos do Estado e governos, mas que encontram forças para criar alternativas nas lutas, na história de resistências, no modo de vida simples de nossas comunidades campesinas. Encontram a força necessária para edificar a Universidade Campesina feita de pedras, barro, bambu, coleta de sementes nas comunidades campesinas vizinhas, numa relação permanente de campesino a campesino, recuperando a
natureza, biodiversidade, produção de alimentos agroecológicos e a convivência baseada nos valores humanistas, socialistas e internacionalistas.

A Universidade Internacional campesina não é nada igual às universidades da burguesia. Nem nos prédios, nem na metodologia de ensinar, nem no modo de organizar a produção agrícola,
nem no currículo acadêmico, e nem mesmo na forma de organização da Comunidade Universitária.
Por enquanto as iniciativas mais recentes estão aqui em nosso continente, mas o sonho coletivo é de ser a Universidade Internacional de todos os camponeses organizados nos continentes. Outros
cursos de graduação em outras áreas do conhecimento, bem como cursos informais, seminários, oficinas, centro de pesquisa agroecológica – com um banco de sementes internacionais – fazem parte dos planejamentos e missão político-estratégica dos Ialas para enfrentar a ofensiva
do capital financeiro na agricultura e a política do agronegócio.

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