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Com ocupação do Ministério da Fazenda e ações em 20 estados, Via Campesina consegue conquistas

Início » Jornal Sem Terra » Mulheres da Via Campesina em luta

Não nos intimidaremos!

A passagem do dia 8 de março, mais uma vez, foi marcada por uma jornada de lutas da Via Campesina Brasil. As mulheres do campo – camponesas, ribeirinhas, extrativistas, indígenas, quilombolas e Sem Terra – foram à luta para enfrentar o modelo de agricultura e de espoliação das nossas riquezas naturais ditado pelo agronegócio, hidronegócio e empresas transnacionais. A classe dominante, tendo o monopólio dos meios de comunicação, procura estigmatizar essas lutas junto à sociedade. Não há interesse da mídia em abrir um debate na sociedade sobre as propostas políticas portadas pelas mobilizações das mulheres do campo. Ao contrário, há um claro interesse em
manter a sociedade urbana alienada da disputas de projetos de agricultura que ocorre hoje no campo. Mais: no processo de estigmatizar as lutas do campo, há a intencionalidade de impedir
que essas lutas recebam o apoio e a solidariedade da sociedade urbana.

É mais fácil, para a elite, apresentar as lutas como sendo atos de vandalismos, de atraso e de contrariar os interesses do país, uma vez que afastam os investidores estrangeiros – sendo estes,
ainda na visão das elites, os promotores do nosso desenvolvimento e da geração de empregos em nosso país. Essa mesma mídia esquece de mencionar que as transnacionais são um dos principais
mecanismos de exploração e de transferência das riquezas dos países do hemisfério sul para os do norte.

Inconcebível é pensar que essa mídia nacional, caninamente submissa aos interesses de uma pequena minoria brasileira e ao capital internacional, pudesse agir dignamente, dentro de parâmetros éticos, para informar a sociedade brasileira dos reais objetivos das mobilizações
do 8 de março. Alguém, de sã consciência, pode imaginar a chamada grande mídia noticiar que as trabalhadoras do campo estão mobilizadas em defesa da agroecologia, da biodiversidade, da agricultura camponesa cooperada, da produção de alimentos saudáveis, da Reforma Agrária, dos
direitos previdenciários, da saúde e educação gratuita e de qualidade para todos?

Antes mesmo que os setores reacionários do poder judiciário, a mídia trata de criminalizar as lutas populares, as organizações da classe trabalhadora e seus militantes e dirigentes. Não interessam
os fatos ou a realidade. Interessa a versão dos fatos, interessa a realidade que a mídia cria para atender seus interesses e objetivos corporativos. Criado o clima junto à sociedade, de estigmatizar as lutas, sempre haverá um juiz de plantão para criminalizar as lutas populares ou uma repressão
policial justificada.

Assim, as classes dominantes buscam, constantemente, aperfeiçoar seus instrumentos políticos, ideológicos e repressivos para, cada vez mais, restringir e coibir as lutas populares como forma das classes subalternas de fazerem política. Compreenderam que através das lutas, a classe trabalhadora tem força e autonomia para apresentar suas propostas políticas e/ou suas reivindicações econômicas.

Os seguidos pronunciamentos dados pelo atual presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), doutor Gilmar Mendes, telefonando para que os governadores estaduais atuem contra as
ocupações de latifúndios, também se inserem nesse contexto de inibir a atuação dos movimentos populares e de preservar os interesses do capital. Não foi sem outro propósito que o presidente
do STF, segundo o jornalista Ricardo Noblat, na quarta-feira de cinzas convocou a imprensa – onde já se viu isso? – para desancar o MST. É por essa razão – e outras – que o presidente do STF integra o PiG ( Partido da Imprensa Golpista), de acordo com o também jornalista Paulo Henrique Amorim.

Os ataques da mídia burguesa, dos governadores conservadores, do aparato repressivo do Estado e dos setores conservadores do poder judiciário, não irão nos assustar e nem nos intimidar. Estaríamos preocupados se estivéssemos sendo cooptados por esses setores, marcados pelo seu caráter antisocial, anti-nacional e anti-democrático. Estaríamos preocupados se estivéssemos
perdendo a nossa capacidade de contestação da ordem estabelecida e de lutar por um país socialmente justo, democrático e igualitário. E, por último, resta-nos a esperança que a prece do
presidente da Comissão Pastoral da Terra, dom Xavier Gilles, seja atendida: “Que o Deus da Justiça ilumine o nosso país e o livre de juízes como Gilmar Mendes”. Amém!

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