Com ocupação do Ministério da Fazenda e ações em 20 estados, Via Campesina consegue conquistas
O XIII Encontro Nacional, realizado em Sarandi (RS), entre os dias 20 e 24 de janeiro, em comemoração ao 25º aniversário do MST, promoveu o reencontro da militância com um dos berços da nossa organização. A história era relembrada à todo momento. A nova geração de militantes conheceu a geração que no final dos anos 70 ousou enfrentar o governo da ditadura militar para fazer o acampamento da Encruzilhada Natalino. Essa nova geração rendeu homenagens àqueles lutadores e lutadoras. E estes e estas souberam reconhecer que os que vieram depois deles mantiveram empunhada a bandeira da Reforma Agrária nesses 25 anos. Todos juntos. Os sonhos e as lutas uniam aquelas diferentes gerações.
Até a Brigada Militar fez questão de reproduzir o clima vivenciado pelo acampamento cercando pelo coronel Curió nos 70. A polícia militar da governadora tucana, Yeda Crusius, cercou o assentamento e exigia a identificação de todos que entrassem no local do Encontro. O que inclusive já havia acontecido na realização do Encontro Estadual em 2007 no mesmo assentamento.
Nem mesmo o ex-governador do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra, e os governadores Roberto Requião (PR) e Jackson Lago (MA) conseguiram fugir desse constrangimento e foram obrigados a se identificar. Mais de 60 convidados de inúmeros países presenciaram, diariamente, a truculência daquela polícia.
Mas o Encontro não serviu apenas para promover a confraternização das diferentes gerações do nosso Movimento. E muito menos para atestar a truculência, já conhecida, da Brigada Militar. Foi um Encontro de muito estudo e debates sobre os desafios que temos pela frente. O 25º aniversário não é um ponto de chegada. É apenas um momento importante da nossa história, onde as conquistas e as derrotas da nossa luta nos impulsionam para novos desafios. O nosso ponto de chegada é a Reforma Agrária e um país socialmente justo e igualitário, socialista.
Por isso dedicamos tempo para estudar e entender essa crise que se abate sobre todas as economias capitalistas do planeta. Os capitalistas, frente à crise, se preocupam unicamente em se apropriar dos recursos públicos, contando sempre com a conivência dos governos submissos ao capital, e de repassar os custos da dívida à classe trabalhadora. E para avançar no diagnóstico, nos esforçamos para entender em que estágio está a luta de classes em nosso país e quais são os desafios atuais da classe trabalhadora. Este estudo se restringiu a evidenciar o quanto é complexo o momento político que vivemos. Mas, estávamos ansiosos para buscar elementos que pudessem nos ajudar a qualificar nossa organização e lutas. Queremos dar um salto de qualidade e avançar em direção ao nosso ponto de chegada.
Procuramos compreender melhor o modelo agrícola da elite brasileira - o agronegócio - voltado unicamente para atender as exigências do mercado internacional. Duas décadas de neoliberalismo expulsou a população do campo e destinou as melhores terras para gigantescas áreas de monocultivos de cana de açúcar, eucalipto e soja e entregou a agricultura para o controle das transnacionais. Sem mencionar a depredação ambiental promovida pela roubalheira dos nossos minérios.
A soberania política de um país está alicerçada na soberania alimentar do seu povo. Somente a Reforma Agrária e a agricultura camponesa podem assegurar essas conquistas ao povo brasileiro.
Por fim, olhamos para nossa própria organização. Os nossos êxitos nesses 25 anos se devem, também, à nossa capacidade de analisar e enfrentar nossas próprias deficiências. A Reforma Agrária está hoje num estágio diferenciado ao de 25 anos atrás. Não enfrentamos mais apenas o latifundiário atrasado e monopolizador de grandes extensões de terras mantidas improdutivas. Hoje, enfrentamos o agronegócio, formado pelos grandes proprietários rurais capitalizados, as transnacionais e os bancos. Somente com uma organização mais forte, com capacidade e criatividade de promover lutas massivas e concretizando alianças com outras organizações da classe trabalhadora, do campo e da cidade, poderemos conquistar a Reforma Agrária em nosso país.
Cabe agora, reabastecidos de entusiasmo e coragem pelas comemorações do 25º aniversário, enfrentar esses desafios atuais. Queremos que as próximas comemorações não sejam apenas para relembrar as do passado e sim para celebrar a Reforma Agrária e as conquistas da classe trabalhadora
