Com ocupação do Ministério da Fazenda e ações em 20 estados, Via Campesina consegue conquistas
Ao longo destes 25 anos, realizamos mais de 2,5 mil ocupações de latifúndios com cerca de 370
mil famílias - hoje assentadas nos 7,5 milhões de hectares conquistados. Mais do que a terra, nossas famílias organizadas conquistaram crédito para a produção, garantia do acesso à saúde, mais de 2 mil escolas públicas em acampamentos e assentamentos. Alfabetizamos mais de 50 mil adultos e jovens nos últimos anos, construímos mais de 400 associações e cooperativas, além de 96 agroindústrias, que produzem alimentos sadios e com baixo preço na cidade. E a luta pela distribuição da terra persiste nos mais de 900 acampamentos com 150 mil famílias Sem Terra no Brasil. E para isso, cada um dos 24 estados do Brasil onde o MST está organizado mobilizou os trabalhadores e trabalhadoras para enfrentar o inimigo, ocupar latifúndios, construir alianças com sindicatos, poder público e outras organizações. E seguimos na luta! Viva o MST!
Espírito Santo
Tendo em vista a decisão política de levar o MST para o Espírito Santo e o esgotamento da tática das
negociações com o governo, em outubro de 1985, cerca de 300 famílias Sem Terra realizaram a
primeira ocupação do Movimento no estado. Foi na Fazenda Georgina, no município de São Mateus.
Despejadas no terceiro dia de ocupação, as famílias foram transferidas para outra área.
“Enquanto algumas mulheres e jovens cantaram o lamento daquela situação, policiais choraram, porque tinham que desmanchar os barracos, já que os acampados cruzaram os braços e eles tinham que cumprir ordens”, relatou um líder do acampamento. Passados cinco meses, as famílias conquistaram quatro assentamentos, um deles na própria Georgina. Hoje, a luta por Reforma Agrária no estado se dá principalmente no enfrentamento com as transnacionais, como é o
caso da empresa Aracruz Celulose, que encabeça a monocultura de eucalipto no estado.
Rio de Janeiro
No Rio de Janeiro, o MST luta contra a morosidade da realização da Reforma Agrária, que vem se
agravando com o fortalecimento do agronegócio. Há casos de acampamentos com dez anos de
existência e uma série de áreas que permanecem na condição de préassentamentos. Além disso, a maioria dos agricultores familiares do estado nunca teve acesso às políticas públicas de sustentação da produção, nem mesmo de educação, saneamento básico e saúde. O Setor de Saúde do
MST-RJ, por exemplo, formou em 2007 a primeira turma do Curso de Práticas Alternativas e Tradicionais em Saúde. O objetivo foi capacitar agentes comunitários, provenientes de
28 áreas de assentamentos e acampamentos, em práticas da medicina tradicional chinesa e fitoterapia, o que já impulsionou a criação de hortas medicinais. Para garantir a autosustentação
e continuidade da atividade, são vendidos produtos fitoterápicos e fitocosméticos, elaborados pelos
próprios educandos do curso.
Paraná
Mais de 17,5 mil famílias foram assentadas nos 25 anos do MST no estado. Um exemplo histórico dessa luta foi a desapropriação da Fazenda Giacomet-Marodin, também conhecida como empresa Araupel. A área abrange os municípios de Rio Bonito do Iguaçu, Nova Laranjeiras e Quedas do Iguaçu. Essa ocupação — a maior da América Latina — ocorreu em abril de 1996, com mais de três mil famílias e foi registrada pelas lentes do fotógrafo Sebastião Salgado. Após a ocupação, a fazenda, fruto de grilagens de terra, era permanentemente vigiada por pistoleiros, que aterrorizavam as famílias. Em 1997, os Sem Terra Vanderlei das Neves e José Alves dos Santos foram mortos numa emboscada dentro da área. Oito anos depois, a fazenda foi transformada em
quatro assentamentos: Ireno Alves dos Santos, Marcos Freire, Celso Furtado e Dez de Maio. Hoje, os assentados produzem, principalmente, milho, soja, feijão, arroz e leite para o autoconsumo
e abastecimento do mercado local. (Solange Engelmann)
Paraíba
Em abril de 1989, 200 famílias ocuparam a Fazenda Sapucaia, em Bananeiras. Foi em 1998, com uma
marcha que saiu do sertão em direção à João Pessoa, que o MST adquiriu força no estado e se expandiu para as regiões do sertão Curimataú e Cariri. Foi o primeiro estado no Nordeste a
conquistar cursos na universidade. Hoje, são mais de 2, 4 mil famílias acampadas em 54 acampamentos no estado e 2, 5 mil famílias assentadas. (Neto Barbosa)
São Paulo
O ano era 1993. Após meses de preparação, o MST se organizava para ocupar mais um latifúndio no
estado de São Paulo. Na madrugada de 9 de outubro, 2,7 mil famílias ocuparam a fazenda
Jangada, uma área de 5.396 hectares, localizada no município de Getulina. Após 40 dias, as famílias
sofreram um despejo violento, numa ação policial de proporções nunca vistas: oito mil homens. Apesar da brutalidade policial, os Sem Terra não desistiram e continuaram em luta na região por mais dois anos. A fazenda foi desapropriada, no entanto, a situação foi revertida na justiça. Sem a possibilidade de serem assentadas em Getulina, asfamílias se deslocaram para outras regiões do estado. A ocupação da fazenda Jangada é um marco na luta pela terra em São Paulo, pois a sua repercussão possibilitou o acesso do MST às cidades, formou militantes e ampliou o leque de alianças. O MST saiu dessa ação fortalecido, mostrando seu potencial de mobilização e a
necessidade da Reforma Agrária. Atualmente, 12 mil famílias estão assentadas em todo o estado.
(Eduardo Carmo e Camila Bonassa)
Santa Catarina
O Movimento no estado iniciou uma série de ocupações, com cerca de 5 mil famílias, após
o 1º Congresso Nacional dos Sem-Terra. Só no dia 25 de maio de 1985, numa articulação
simultânea, 1,7 mil famílias ocuparam áreas em 7 cidades. Após muita pressão e ocupação da
sede do Incra, 11 fazendas foram desapropriadas para a Reforma Agrária, sendo assentadas 1,3 mil famílias. Foi um dos episódios mais emblemáticos da luta do MST no estado. Entre as muitas
conquistas dos Sem Terra catarinenses está a produção organizada em agroindústrias. Conservas doces e salgadas, leite, queijo e erva-mate são produzidos e vendidos com a marca Terra
Viva por meio da Cooperoeste (Cooperativa Regional de Comercialização do Extremo
Oeste Ltda). Criada em 1996, por 120 assentados da Reforma Agrária, a cooperativa é hoje uma
das grandes produtoras de leite da Região Sul do país.
Ceará
Em 1988, militantes cearenses se somaram à luta de outros estados para construírem o MST local. Assim, uma comissão provisória foi formada e encontros municipais e estaduais realizados. Em quatro meses de trabalhos de base e reuniões, conseguiram reunir cerca de 450 famílias.
Em maio de 1989, 300 delas ocuparam a Fazenda Reunidas São Joaquim, em Quixeramobim. Nove dias depois, estas e outras 200 famílias foram assentadas. Em setembro, outras 800 estavam prontas paraocupar a Fazenda Tiracanga. Mas os latifundiários organizados na UDR já estavam mobilizados e bloquearam parte das famílias na estrada. Mesmo assim, 600 conseguiram entrar. Uma das conquistas mais antigas do MST-CE é o Assentamento 25 de Maio, em Madalena, que celebra 20
anos de existência em 2009. Cerca de 425 famílias moram ali. Hoje, o 25 de Maio é o maior produtor de ovinos e bovinos da região, e é também o maior produtor de mamona do município.
Maranhão
Em julho de 1993, movidos pelo ascenso da mobilização social e da esquerda na década de 80,
movimentos camponeses do Maranhão realizaram a “Marcha Estadual das Organizações do
Campo”. A mobilização, que ficou conhecida como “Caminhada da Esperança”, atraiu militantes da
CUT, PT, PCdoB, PSB, CPT, além de pastorais e ONGs. Cerca de 12 mil trabalhadores caminharam 250 km de Vitória do Mearim a São Luis. A “Caminhada da Esperança” foi um marco para a consolidação do MST/MA, pois aquele era um momento de grande tensão no campo, devido aos
massacres e assassinatos promovidos pela ação criminosa da União Democrática Ruralista (UDR).
(Reynaldo Costa)
Goiás
Derivados também do 1º Congresso Nacional do MST, os trabalhos de organização do Movimento em Goiás se deram por uma articulação entre a CPT, sindicatos rurais e a CUT. A primeira ocupação de terra realizada no estado foi a da Fazenda Mosquito, em 1985. Depois de uma série de despejos e
negociações, 36 famílias foram assentadas na fazenda. Em 1986, o MST goiano realizou seu primeiro encontro e elegeu a Coordenação Estadual. A esta altura, já havia organizado comissões e grupos de famílias em 30 municípios do estado. Hoje, 4 mil famílias do Movimento moram em
cerca de 20 acampamentos em Goiás. O estado, atualmente, é um dos que mais registra conflitos no campo, principalmente devido à expansão do agronegócio na Região Centro-Oeste.
Rondônia
Quando os participantes de Rondônia retornaram do Congresso Nacional, em 1985, se iniciaram
os trabalhos de base junto às famílias Sem Terra no estado. Daquele ano em diante, a luta pela
terra foi se demonstrando cada vez mais difícil. Grandes áreas de posse foram griladas por latifundiários, empresas e comerciantes. Neste cenário, posseiros e Sem Terra passaram a
buscar formas de resistência, enfrentando sempre a repressão de policias e jagunços. Em 1986, 1,5 mil famílias de posseiros expulsos de suas terras conquistaram 61 mil hectares, em Porto Velho e Colorado d’Oeste. Em agosto daquele mesmo ano, o MST organizou seu 1º Encontro Estadual, onde foram definidas suas formas de luta e formação de grupos de famílias para ocupações. Há hoje no estado, cerca de 50 assentamentos do Incra, porém a maioria ainda luta por infra-estrutura básica.
Rio Grande do Sul
“Não deixem os pés sujos dos sem terra pisarem na nossa cidade”, dizia o panfleto dos latifundiários, atendidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que, em 2003, impediu a desapropriação da fazenda Estância do Céu, então propriedade de Alfredo Southall no município de São Gabriel. Depois de cinco anos de marchas e ocupações, a terra foi finalmente conquistada, assentando mais de 600
famílias, que injetarão mais de R$ 20 ilhões na economia local e produzirão alimentos numa área pretendida pelo agronegócio para produção de celulose. O mais recente assentamento conquistado pelo MST está no estado onde a luta por Reforma Agrária foi retomada durante a ditadura militar e
homenageará Sepé Tiarajú, primeiro mártir da luta pela terra da história do Brasil. (Miguel Stedile)
Bahia
No extremo sul da Bahia, a CPT já promovia a articulação das lutas locais. Militantes de Santa Catarina foram para lá em 1985 para ajudar a reunir e organizar as famílias Sem Terra. Em
janeiro de 1986, foi realizado o 1º Encontro Estadual, de onde se tirou o consenso de que a Reforma Agrária só seria realizada com os trabalhadores organizados. Um ano e meio depois do
Encontro, 600 famílias estavam engajadas no MST e 450 participaram da primeira ocupação em uma fazenda de cinco mil hectares em Prado. A área já estava desapropriada e pertencia à antiga Companhia Vale do Rio Doce, atual Vale. Hoje, a Bahia é um dos estados que tem o maior número de
famílias acampadas: cerca de 25 mil em 240 acampamentos. Em 2007, ocorreram 93 ocupações de terras baianas, mobilizando mais de 18 mil famílias Sem Terra.
Minas Gerais
Em Minas Gerais, o MST teve origem em 12 de fevereiro de 1988, com 400 famílias ocupando a fazenda Aruega, o que desencadeou o processo de massificação e organização no estado.
Hoje, são cerca de 6 mil famílias, sendo que destas, 1,6 mil já foram assentadas em 42 áreas conquistadas. Hoje, já são 15 brigadas constituídas nas 5 regionais existentes, totalizando
mais de 70 áreas dentro da organicidade do MST. No ano passado comemoramos os 20 anos do Movimento no estado. Minas Gerais está para sempre marcada pelo caso de Felisburgo, onde
15 pistoleiros fortemente armados sob o comando do fazendeiro Adriano Chafik invadiram o acampamento da Fazenda Nova Alegria no dia 20 de novembro de 2004 e mataram 5
trabalhadores, além de deixarem diversos feridos. Após 4 anos de impunidade, a área ainda não teve sua desapropriação definitiva e os assassinos continuam livres. (Alexandre Chumbinho e Dayana Mezzonato)
Pará
Em 1990, em Conceição do Araguaia, aconteceu a primeira ocupação de terra do estado com a ajuda de militantes do Maranhão e do Piauí. Após três anos, parte das famílias ocupou a sede do Incra da cidade, reivindicando a desapropriação da área. O órgão preferiu não negociar com o Movimento, mas o governo federal decidiu em favor das famílias. O Movimento expandiu para a região de Carajás, em 1992, quando sete lideranças do MST estavam presas, acusados de
serem os responsáveis pelas ocupações de Marabá. Nesse mesmo ano, 541 famílias
ocuparam a Fazenda Rio Branco, de 12 mil hectares, em Parauapebas. Depois de um violento despejo, elas levantaram o primeiro acampamento massivo do estado. Em 1993, decidiram reocupar a fazenda e conquistaram a terra. O estado é um dos mais violentos quando o assunto é Reforma Agrária. Em 1996, foi palco do Massacre de Carajás, em que 19 trabalhadores foram mortos pela Polícia Militar. Até hoje, ninguém foi punido pelo crime.
Alagoas
O MST alagoano foi construído a partir da atuação do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Inhapi, que esteve presente no 1º Congresso Nacional do Movimento, em 1985. Em outubro do ano seguinte, foi realizado o encontro regional em Inhapi, onde foram discutidas a situação do estado e
as formas de luta. Mas foi no município de Delmiro Gouveia que surgiram as 66 famílias que fariam a primeira ocupação no estado: a da Fazenda Peba, em janeiro de 1987. Após um despejo, no
ano seguinte, e uma nova ocupação, as famílias conquistaram a terra. Segundo dados da CPT, Alagoas ocupa o terceiro lugar no país em casos de violência cometida contra trabalhadores rurais durante ocupações e despejos. O quadro de violência é reflexo da história de dominação do
monocultivo da cana, de concentração de terra e de renda. O estado está entre os maiores produtores de cana-de-açúcar, sendo o quarto produtor do Brasil e o maior do Nordeste.
Tocantins
Atualmente, um dos principais focos da luta dos trabalhadores e trabalhadoras rurais Sem Terra do Tocantins é a construção da Usina Hidrelétrica de Estreito, no Rio Tocantins, na divisa do estado com o Maranhão. A estimativa dos movimentos sociais ligados à Via Campesina, como o MST e o MAB, é de que pelo menos cinco mil famílias serão afetadas pela obra em 12 municípios (dois no Maranhão e dez no Tocantins). A maior parte do financiamento da obra tem como fonte o Banco
Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Além de disputa na Justiça, diversas manifestações têm sido realizadas recentemente pelos militantes da Via atingidos por Estreito, que protestam contra o Consórcio responsável pela usina, composto pelas empresas Suez, Vale, Alcoa, e Camargo Corrêa.
Distrito Federal e Entorno
Em 2009, o MST completa 15 anos na região que abrange o Distrito Federal, o noroeste de Minas Gerais e o nordeste goiano. No DF, especialmente na capital do país, é alto o índice de grilagem de terras públicas por parte de empresários e políticos, em função da grande especulação imobiliária. É nessa conjuntura que o MST faz o embatedireto com os grileiros e luta para que essas áreas sejam desapropriadas. A base organizada Sem Terra da região ajuda ainda a pautar as grandes lutas
do MST. Exemplo recente disso foi a ocupação da Caixa Econômica Federal durante a jornada de lutas de abril de 2008, que resultou na criação de um programa nacional para habitação rural. (Janderson Barros)
Piauí
O Movimento no estado surgiu a partir da articulação entre setores progressistas da Igreja Católica, sindicatos de trabalhadores rurais da microrregião de Picos e agricultores. Antes da ida do MST para a região, os agentes pastorais e outras entidades contribuíam apenas para amenizar os conflitos agrários e não incluíam a ocupação entre as formas de luta. Em junho de 1989, 120 famílias
Sem Terra entraram na Fazenda Marrecas, em São João do Piauí. Foi a primeira ocupação do MST no estado. Não houve despejo e o assentamento foi negociado. Quase 20 anos após a ocupação, o Assentamento Marrecas possui mais de 270 famílias produzindo alimentos para sua sobrevivência e a
economia local. Atualmente o Movimento está organizado em três regionais no Piauí, com 28 assentamentos. São quase 5 mil famílias assentadas e seis áreas com cerca de duas mil acampadas.
Pernambuco
Pernambuco, baluarte das Ligas Camponesas, teve a primeira bandeira do MST cravada em um latifúndio em 1989. Já em 1995, o MST realiza uma das maiores ocupações de terra da sua história, com 2,2 mil famílias: a da fazenda Safra, de propriedade da empresa Etti, localizada em Santa Maria da Boa Vista. Como o acampamento crescia cada dia que passava, o MST resolve ocupar
outras áreas. O acampamento ficou historicamente conhecido como “mãesafra”, por ter sido o primeiro do MST na região que fez nascer tantos outros acampamentos, em uma área hoje
conhecida como “Estrada da Reforma Agrária”. Em outubro de 2008 foi oficialmente criado o Assentamento Safra, com 220 famílias assentadas, que cultivam principalmente frutas (goiaba,
manga, maracujá e maçã). (Cássia Bechara)
Rio Grande do Norte
A construção do MST no Rio Grande do Norte remonta aos anos de 1989, quando lideranças de outros estados começaram os trabalhos na região. Em outubro daquele ano, 20 famílias
ocuparam a Fazenda Bom Futuro, que já havia sido desapropriada, em Janduís. Mesmo após o despejo desta área, as mesmas famílias tentaram ocupar a Fazenda Palestina, em Jucurutu, mas acabaram desistindo. Em 1990, os militantes que estavam atuando no estado buscaram apoio da
CUT, PT e dos sindicatos urbanos. Assim, os trabalhos de base se intensificaram. Daí em diante diversas ocupações se seguiram e, neste período, não faltaram arbitrariedades e demonstrações de força dos latifundiários. Apesar da ofensiva, o MST obteve grandes conquistas no estado, como a de uma fazenda de 31 mil hectares na região de Mato Grande, que reúne hoje vários assentamentos.
Mato Grosso
A atuação do MST no Mato Grosso começou de fato em 1995, quando ocorreu a primeira ocupação de terra. Cerca de mil famílias reivindicavam a desapropriação da Fazenda Aliança, em Pedra Preta. Hoje, uma das principais lutas do Movimento da região é contra o avanço acelerado do agronegócio da soja, que traz desmatamento e pobreza aos trabalhadores rurais. Uma das maiores conquistas do MST no estado é a construção do Centro de Capacitação e Pesquisa Olga Benário (Cecape), no Assentamento Dorcelina Folador, que abriga 33 famílias. O objetivo é que o Centro seja um
espaço de formação e capacitação da classe trabalhadora. A primeira parte da obra já está pronta e inclui quatro salas de aula, um laboratório de informática e outro de Física, Química e Biologia, biblioteca e alojamentos para 200 pessoas, além do refeitório e da cozinha.
Mato Grosso do Sul
O embrião do MST no Mato Grosso do Sul foi a ocupação da Fazenda Idalina, em Ivinhema, em 1984. O fruto da mobilização foi o Assentamento Padroeira do Brasil, em Nioque. Os representantes dos sem-terra do estado haviam participado da fundação do MST em Cascavel (PR) e também
estiveram presentes no 1º. Congresso Nacional, em Curitiba. A partir de 1990, o Movimento expandiu-se por todo o estado e hoje são mais de 3,5 mil famílias acampadas. A maioria está entre
seis a dez anos vivendo embaixo da lona preta. Atualmente, centenas de famílias estão em áreas de pré-assentamento, esperando o parcelamento da área por parte do Incra. Os assentados também
enfrentam inúmeros problemas por conta da morosidade na Reforma Agrária, que enfrenta a força do latifúndio aliado ao agronegócio.
Sergipe
A formação do MST de Sergipe começou com a participação de nove representantes no 1º Congresso Nacional, em 1985. Os conflitos de terra estavam em efervescência, especialmente nas regiões de Própria e Pacatuba. Já em setembro do mesmo ano, com o apoio do MST e da CPT,
300 famílias ocuparam a Fazenda Barra do Onça, em Poço Redondo. No 1º Encontro Estadual, em 1987, em Iatibi, o MST começou a se articular com os movimentos sindicais rural e urbano, a
Igreja e outras instituições. Hoje, são 14 mil famílias acampadas. Em setembro de 2008, elas comemoraram uma importante vitória: 3 mil adultos e jovens do MST receberam os certificados de conclusão do curso de alfabetização, promovido pelo governo federal, por meio do Programa Brasil
Alfabetizado. No total foram assistidos 50 acampamentos e 30 assentamentos. “Não preciso ter mais vergonha por não saber escrever”, diz Maria José dos Santos, de 54 anos, do Acampamento
Antônio Conselheiro, em Canindé do São Francisco.
