Grandes transformações no campo abrem a perspectiva do MST se reposicionar na luta de classes
A jornada das Crianças Sem Terrinha deste ano, além do lema “Por Escola, Terra e Dignidade”, pautou também a questão dos alimentos, em torno dos conceitos de alimento saudável e de soberania alimentar. Pelo direito também à educação no campo, e a possibilidade de estudar em escolas nas comunidades onde vivem. Em cada estado uma atividade diferenciada. Além de marchas, reuniões e estudos, as crianças participaram de oficinas e apresentações culturais.
Na capital de Santa Catarina, Florianópolis, cerca de 400 crianças realizou o IV Encontro Estadual dos Sem Terrinha, entre os dias 14 e 16 de outubro. No primeiro dia de atividade, as crianças e professores apresentaram uma pauta de reivindicações à Secretaria Estadual de Educação, em razão do descaso por parte do governo do estado com a política de educação nos assentamentos e acampamentos.
Em Alagoas, mais de mil crianças Sem Terrinha de todo o estado participaram do Encontro, entre os dias 08 e 10 de outubro, na capital Maceió. No último dia as crianças saíram em marcha pelo centro da cidade em direção ao Palácio do Governo, com faixas, cartazes e gritos de ordem, e foram recebidos por representantes para a entrega da pauta, construída pelos próprios Sem Terrinhas.
Ao entregar a pauta, a Sem Terrinha Mayara, de 10 anos, dirigiu-se ao representante do governo dizendo: “Nós, os Sem Terrinhas aqui, representando as crianças das 10 mil famílias acampadas e assentadas do MST no estado, queremos escolas nos nossos assentamentos e acampamentos. Queremos que nossos pais possam ter terra para plantar alimentos saudáveis”.
Mayara finalizou perguntando às demais crianças: “E se o governo não atender a nossa pauta, a gente vai?”. Elas atenderam ao chamado da companheirinha respondendo num coro só: “Voltar. A gente vai voltar”.
No Paraná, a Semana dos Sem Terrinha aconteceu entre os dias 10 e 15 e reuniu centenas de crianças. Os governos municipais e estadual foram cobrados para a construção, ampliação e reforma de escolas nos assentamentos e acampamentos.
No Rio de Janeiro, 300 Sem Terrinhas realizaram entre os dias 10 e 12, seu XI Encontro. “Este momento é muito importante para que nossos Sem Terrinhas possam se encontrar e se perceber como parte da luta de suas famílias”, explicou Elizângela, do setor de educação do MST no Rio.
Centenas de crianças do estado do Rio Grande do Sul se reuniram em Porto Alegre para exigir melhores condições para a educação no campo. As crianças fizeram uma marcha na tarde do dia 10 em direção à Secretaria de Educação. Os Sem Terrinhas exigem mais escolas nos assentamentos, transporte escolar e mais educadores em salas de aula.
Em Pernambuco, cerca de 300 crianças e jovens realizaram no dia 21, um ato por escola e educação no campo. Saíram em marcha da Assembléia Legislativa para a Secretaria de Educação do estado para entregarem a pauta de reivindicações.
