[Skip Header and Navigation] [Jump to Main Content]
Início

  • Início
  • O MST
    • Quem Somos
    • Nossas bandeiras
    • Organização
    • Linhas políticas
    • Notas oficiais
    • Lutadores do povo
    • Poemas e Poesias
    • Letra Viva
    • Jornal Sem Terra
    • Revista Sem Terra
  • Nossa Produção
  • Biblioteca
    • Agricultura camponesa
    • Agronegócio
    • Direitos Humanos
    • Educação, Cultura e Comunicação
    • Lutas e mobilizações
    • Internacional
    • Meio Ambiente
    • Projeto Popular
    • Reforma Agrária
    • Transgênicos
  • Vídeos
  • Especiais
  • Mural
  • Eu apoio o MST
  • Loja da Reforma Agrária
  • Indicamos
  • Fale Conosco
  • Assine o Jornal Sem Terra
  • Expediente
  • RSS
  • Facebook
  • Twitter

Informativo Letra Viva

Cadastre-se para receber o boletim

Veta tudo Dilma: em defesa do Código Florestal

MST - lutas e conquistas

Via Campesina - plataforma para agricultura

videoteca

vozes silenciadas

Jornal


Grandes transformações no campo abrem a perspectiva do MST se reposicionar na luta de classes

Início » Jornal Sem Terra » Mais do que nunca, lutas são necessárias

Onde há fumaça, há fogo

Por Jaqueline Nikiforos

O Mato Grosso possui 72,8 milhões de hectares de terras consideradas particulares, divididas em 94.712 propriedades. Destas, apenas 8.428 grandes propriedades concentram 49,9 milhões de hectares, ou seja, apenas 9% das propriedades concentram 69% das terras particulares do estado, fazendo com que este um dos estados com maior concentração de terras no Brasil.

É este o panorama do estado que, há algumas semanas, ganhou espaço nos noticiários como foco dos desmatamentos ocorridos no país. Desconsiderando completamente esta realidade, ao tomar contato com a lista dos desmatadores divulgada pelo Ministério do Meio Ambiente, a mídia burguesa não pensou duas vezes: a Reforma Agrária tornou-se a vilã da história e, no país com o maior índice de concentração de terra do mundo, os assentamentos passaram a ser os culpados pela devastação das florestas.

Para esclarecer esse jogo de inversões, o Jornal Sem Terra conversou com a integrante da direção nacional do MST, Itelvina Masioli, que apontou os interesses que estão por trás dessa publicidade negativa dos assentamentos.

Jornal Sem Terra - Onde se localizam os maiores pontos de desmatamento do Mato Grosso?

Itelvina Masioli - No Mato Grosso, o principal foco do desmatamento está no norte do estado. Esta é inclusive a região que compreende as áreas abordadas nas recentes matérias que enfocam a questão. É a região foco da expansão do agronegócio. É o caminho, que segue para o norte, passando por Sorriso, Sinop, Alta Floresta. E por que isso? São os rastros da política estabelecida pelo próprio governo federal, e aplicada de maneira brutal pelo governo estadual, para a expansão do agronegócio na região. O grande problema de todo esse debate que veio à tona é exatamente a inversão da situação: tentar creditar aos assentamentos de Reforma Agrária e aos pequenos produtores a responsabilidade maior pelo desmatamento. Se pegarmos a história da ocupação da região amazônica e do Mato Grosso, a gente vê que não há nenhuma dúvida de que os grandes responsáveis pelo desmatamento é o grande latifúndio.

JST - Então o foco do desmatamento está localizado majoritariamente onde estão as áreas com grandes propriedades?

IM - Exatamente. Estamos vivenciando aqui a expansão da soja, da cana de açúcar e do algodão. Cresce também um monocultivo novo, o de árvores de teca, para produção de celulose. Além, é claro, da criação de gado de corte, que ainda é enorme. E agora, há ainda mais uma ofensiva do governador Blairo Maggi - que é o maior produtor privado de soja do mundo - de construir usinas de álcool, inclusive pegando parte do bioma do Pantanal. O que mostra também que não há nenhum tipo de interesse ambiental por parte das autoridades locais, pelo contrário, sempre se busca uma forma de seguir avançando com a fronteira agrícola, burlando as leis e assim criando jurisprudência para implementar as mudanças de interesse do agronegócio.

JST – Onde entram os assentamentos nessa história?

IM – Existem no estado em torno de 38 a 40 assentamentos do MST. As fazendas desapropriadas para fins de Reforma Agrária, que deram espaço aos assentamentos, já estavam completamente desmatadas pelos antigos proprietários, latifundiários. Então, os assentamentos aparecem como desmatadores. Inclusive, para trabalharmos nessas áreas, é necessário aplicar projetos de manejos florestais e recuperação da mata ciliar. Isso tudo é algo que nós estamos analisando e o Movimento já vem denunciando nacionalmente. A política de assentamentos do governo federal de fato não ataca o latifúndio. Ela vai nesse rastro da expansão do agronegócio. É preciso realizar a Reforma Agrária em áreas que de fato possibilitem a produção de alimentos, localizadas próximas das grandes cidades, de centros consumidores. Hoje a maior parte dos assentamentos está localizada na Amazônia Legal, em áreas distantes dos centros consumidores. Por outro lado, nas regiões fora da Amazônia Legal, onde estão a maior parte dos acampamentos e as fazendas que deveriam ser desapropriadas, nada acontece.

JST - É o que vem ocorrendo no Mato Grosso...

IM – Exato. E aqui nós temos assistido a pressão do agronegócio, com apoio do Maggi. Em oito anos tivemos apenas 35 famílias assentadas. O que tem acontecido na verdade é apenas um processo de regularização fundiária. Continua a mesma política de maquiar números para se dizer que estão sendo cumpridas as metas. E quando são criados assentamentos, isso acontece na região norte do estado, que é problemática não só por ser foco da degradação do meio ambiente como também porque é um dos locais que não reúnem as condições necessárias para que os assentamentos possam se desenvolver.

JST - Que interesses estão por trás dessa denúncia que aponta os assentamentos como protagonistas do desmatamento?

IM - Está muito claro. A sociedade já começa a observar mais atentamente e com outro olhar a questão da destruição do meio ambiente. São muitas as denúncias em relação ao campo: trabalho escravo, boi pirata, crise dos alimentos. E com isso, temos começado a mostrar que de fato a Reforma Agrária e a agricultura camponesa são as saídas principais para acabar com a fome, gerar alimentos saudáveis. A agricultura camponesa é responsável pela produção de quase 80% dos alimentos que chegam à mesa do trabalhador brasileiro. Nós já temos elementos que mostram que a Reforma Agrária consegue de fato preservar e ter uma outra relação com a natureza. Assim, o latifúndio e o agronegócio começam a ficar preocupados. É uma tentativa de esconder que o latifúndio e o agronegócio têm se apoderado de recursos públicos para promover de fato a maior destruição ambiental e ainda vender o que produzem em nossas terras para fora do país. É toda uma estratégia para tentar “limpar a barra”, abafar suas verdadeiras ações e inverter o jogo, apontando os pequenos como causadores da destruição. Mas o mais importante é que essa questão não perdura por muito mais tempo.

‹ Na luta por escolas e alimentos acima Prezado(a) companheiro(a) ›
  • Entrevista
  • Versão para impressão

Amigos do MST

                      

Parceiros

[Jump to Top] [Jump to Main Content]