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Educadores discutem a educação e a escola do MST

Por Cássia Bechara

Cerca de 300 educadores de diversas escolas do MST em Pernambuco se reuniram entre os dias 25 e 29 de agosto, no Centro de Formação Paulo Freire, em Caruaru, para o XIV Encontro Estadual de Educadores das Áreas de Reforma Agrária. Lá, eles discutiram a Educação do Campo, socializaram práticas pedagógicas desenvolvidas nos assentamentos e acampamentos do MST e debateram o Projeto Político Pedagógico das escolas do campo.

Para Rubneuza Leandro, do setor de educação, “as escolas dos assentamentos e acampamentos devem ser pensadas como ponto de partida para a emancipação humana e a transformação da realidade”.

Das experiências socializadas durante o encontro, destaca-se o Saberes da Terra e a Escola Catalunha. O Saberes da Terra, é um programa do governo federal para a educação do campo de 5ª a 8ª série. No MST ele é desenvolvido a partir de metodologia e pedagogia própria, integrando qualificação profissional com escolarização, em um regime de alternância pautado no tempo escola e tempo comunidade. A escola do Assentamento Catalunha, município de Santa Maria da Boa Vista, trouxe presente elementos de mais de 10 anos de trabalho pedagógico baseado nos princípios filosóficos e pedagógicos do MST.

Para Zélia Porto, professora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e integrante da Secretaria Estadual de Educação, as experiências explicitam a construção da identidade do homem e da mulher do campo que se constitui no MST. “A pedagogia do Movimento possui uma intencionalidade que representa um grupo social com identidade e organicidade própria, construído dentro de uma linguagem que o constitui como sujeito social de luta e de trabalho”.

Nas discussões sobre o Projeto Político Pedagógico das escolas do campo, o professor Gilberto Costa, da Universidade Federal do Rio Grande no Norte (UFRN), afirmou que a “o currículo escolar deve estar voltado para as especificidades do aluno e do educador, trazendo consigo a intencionalidade implícita na visão de mundo, sociedade e sujeitos dos indivíduos que fazem a educação”.

Falar de escola do MST implica em pensar a organização de um trabalho. Para Erivan Hilário, do setor de educação, “o encontro contribuiu diretamente com a formação dos educadores. Aqueles que lidam diariamente com os filhos da classe trabalhadora. Portanto, a organização do trabalho pedagógico da escola deve considerar a luta, o trabalho e a cultura desses sujeitos sociais que vivem no e do campo".

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